Divergência de 5 anos na data de nascimento (1894 vs 1899) — costuma dar exigência?

Pessoal, tudo bem?

Estou montando um processo de cidadania portuguesa (atribuição) para o meu pai e queria ouvir a opinião de vocês sobre um ponto específico antes de enviar.

Linha resumida:

  • Bisavô português
  • Avó (filha dele)
  • Pai (requerente)

Tenho toda a documentação em inteiro teor e apostilada, com a linha bem consistente. Porém, há uma divergência no ano de nascimento do ascendente português:

  • Na certidão narrativa portuguesa (batismo): nascimento em 18/10/1894
  • No casamento brasileiro: consta 1899

Outros pontos:

  • Nome do ascendente consistente (Manoel dos Passos / Manoel dos Passos Pereira)
  • Nome da mãe coincide (Balbina do Nascimento)
  • Pai consta como incógnito nos registros (inclusive no casamento)
  • Linha familiar está bem conectada (nascimento da avó confirma a filiação)

Minha dúvida:

👉 Alguém já teve caso semelhante com diferença de alguns anos na data de nascimento?

👉 Isso costuma passar direto ou gerar exigência?

👉 Vale a pena enviar assim com uma declaração explicativa ou é melhor retificar antes?

Estou pensando em enviar para Lisboa e incluir uma declaração explicando a divergência (erro comum em registros antigos), mas queria ouvir experiências reais de quem já passou por isso.

Qualquer insight ajuda muito. Obrigado!

Comentários

  • @Bern


    Nao da para dizer se isso passa ou se costuma cair em exigencia porque a recomendacao é retificar. Sobretudo pq nao é apenas um erro, mas dois, a data e (pela sua descricao) o nome.


    Tem situacao que passa mesmo com erros? Sim. Tem situacao que cai em exigencia? Também.


    Vamos esperar pra ver o que os outros dizem... mas a minha mensagem é: no fim, vc vai ter que tomar a decisão.


    Visto que a lei está para mudar, possivelmente dificultando para quem é neto, eu recomendaria mandar do jeito que está, e em paralelo providenciar a retificacao.


    Pode ser que jogue dinheiro fora? Sim. É essa a sua decisão.

  • BernBern Member

    Muito obrigado pela resposta. Na verdade pela minha pesquisa o nome foi pq ele adotou o sobrenome do avo, que esta no assento de batismo, pois li que antigamente eles deixavam as pessoas livres para fixarem o sobrenome na vida adulta, entao a maior duvida era sobre a data mesmo, mas gostei da ideia de mandar e ja providenciar a retificação.

  • @Bern Seria melhor enviar para o Porto e não Lisboa.

  • @Bern

    Olhe só, aqui está o passaporte PT dele para vir ao BR. Ele já aparece com o nome completo:

    Aqui o índice:

    https://pesquisa.adb.uminho.pt/details?id=1396100&detailsType=Description

    E a imagem. Ver passaporte número 215:

    https://pesquisa.adb.uminho.pt/viewer?id=1194982&FileID=512756&recordType=Description

    Eu pediria esse passaporte ao Arquivo de Bragança e o incluiria no processo para mostrar que, ainda em PT, ele "fixou" seu nome completo adotando o sobrenome do avó materno. Sem divergências com idade, nomes etc.

    Como o passaporte é um documento oficial de PT, possivelmente nem precisaria apresentar o casamento dele no processo (caso ele tenha sido o declarante do nascimento da filha BR antes de um ano de idade). Ele foi?

    Dessa forma, se evitariam as divergências no casamento dele. Tem uma outra entre o batismo e o casamento. No batismo, a mãe aparece como "Balbina do Nascimento"; no casamento, como "Balbina do Nascimento Pereira".

    Como pode ver abaixo, o casamento do PT não é um documento obrigatório em todos os processos de nacionalidade para netos. Porém, pode ser exigido em alguns casos (exemplos: quando se tem dúvidas sobre a identidade da pessoa; quando o PT não declarou o nascimento do filho etc):

    https://forum.cidadaniaportuguesa.com/discussion/24046/documentos-para-atribuicao-de-nacionalidade-para-netos-formulario-1d

    Algo mais, caso queira investigar:

    No casamento de Manoel dos Passos Pereira, consta que ele apresentou isso:

    "... caderneta de identidade do nubente com o documento equivalente a sua certidão de nascimento..."

    Talvez isso possa te mostrar de onde vieram os dados inseridos na certidão de casamento.

    Você precisaria contatar o cartório onde ele casou em SC para pedir o desarquivamento da habilitação do casamento, que é o processo onde os noivos apresentam esses documentos.

  • BernBern Member

    @CarlosASP

    Muito obrigado pela contribuição — foi extremamente esclarecedora.

    A utilização do passaporte como prova de fixação do nome ainda em Portugal realmente me parece uma abordagem sólida para mitigar as divergências entre o assento de batismo (“Manoel dos Passos”) e o casamento (“Manoel dos Passos Pereira”), sobretudo por se tratar de documento oficial português contemporâneo ao período.

    Fui verificar a certidão de nascimento da minha avó e, de fato, o declarante foi o tio, e não o pai português. Pelo que tenho visto, isso pode enfraquecer a presunção automática da filiação e, eventualmente, levar a conservatória a exigir documentação complementar — possivelmente o casamento.

    Ainda assim, entendo que a inclusão do passaporte pode reforçar de forma significativa a cadeia de identidade, reduzindo o risco de exigência por divergência nominal.

    A observação sobre a habilitação do casamento também foi muito pertinente. Vou avaliar a possibilidade de solicitar o desarquivamento, pois pode ajudar a esclarecer a origem dos dados utilizados na certidão brasileira.

    Agradeço novamente pela orientação e pelos apontamentos — foram de grande valor para estruturar melhor a estratégia do processo.

  • BernBern Member

    @CarlosASP Ja contactei o cartorio em SC. Pergunta pra voce: Entao teu teria que retificar também o nome da mae ao mesmo tempo que retifico a data?

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