Em busca da identidade do bisavô, alcunha "Matateu", região do Libolo/Calulo, Angola, anos 1940
Saudações a todos,
Escrevo para pedir ajuda numa investigação genealógica que a minha família tem feito há vários anos.
O meu bisavô era um homem branco, provavelmente português, de origem europeia, ou então filho de pais portugueses ou europeus, conhecido na região do Libolo e Calulo, no interior da província do Cuanza Sul, em Angola, pela alcunha "Matateu" (tal e qual como o antigo jogador de futebol conhecido por "Matateu"). Não sabemos o seu nome civil verdadeiro, nem se "Matateu" era mesmo uma alcunha ou se, pelo contrário, era o apelido de família. Ele faleceu quando o meu avô ainda era criança, e naquela época, na Angola colonial, muitas pessoas não davam importância a registos e coisas do género. O meu avô e os irmãos acabaram por ignorar essa questão durante anos, e mais tarde, em vez de investigarem quem era realmente o pai, simplesmente adoptaram "Matateu" como sobrenome, do jeito que o meu bisavô era conhecido. Assim, hoje, o meu avô, os irmãos, e toda a família usam o sobrenome Matateu, sem sabermos ao certo se esse era mesmo o sobrenome verdadeiro do meu bisavô, ou apenas uma alcunha.
O meu avô, Júlio Matateu, nasceu a 28 de dezembro de 1947, no Libolo, Angola, e no registo civil dele consta apenas "Matateu" como filiação paterna. Quanto ao registo de baptismo, nunca tivemos acesso a ele, por isso não sabemos se contém mais informação sobre o pai. A mãe seria conhecida como Muhongo, possivelmente Delfina Muhongo.
O meu avô teve pelo menos quatro ou cinco irmãos do mesmo pai, entre eles algumas irmãs, uma delas já falecida, e irmãos homens, um deles chegou a ser padre.
Pelo que me foi dito, o meu avô e os seus irmãos foram baptizados numa igreja católica no Libolo, quase de certeza na Missão Católica de Santo António de Calulo, fundada pelos Espiritanos em 1893, que em 1947 era a única missão a servir toda aquela região do Libolo, em Angola. Mais tarde, depois da guerra pela independência de Angola, em 1975, os Espiritanos deixaram o país e levaram muitos dos seus documentos e arquivos para Lisboa, o que também estamos a tentar seguir.
Estamos a tentar perceber quem era este homem, de onde vinha, e se "Matateu" era realmente alcunha, apelido, ou nome próprio dele. Já contactámos os Espiritanos e estamos a explorar os arquivos dessa missão, mas gostaríamos muito da experiência desta comunidade, já que sei que aqui há pessoas com bastante conhecimento sobre famílias de origem europeia em Angola nessa época.
Se alguém tiver pistas sobre como pesquisar um caso destes, sugestões de arquivos, ou mesmo já se tiver cruzado com o nome "Matateu" nalguma fonte, agradecia imenso qualquer indicação.
Muito obrigado desde já.
Comentários
Obrigado a todos os que leram. Depois de mais conversas com a família e de algum trabalho nos arquivos, a situação mudou bastante em relação ao que escrevi no post original.
Quase de certeza «Matateu» não era o nome nem a alcunha do bisavô. O apelido da família era Mateia; Matateu foi adoptado ou inventado pelos irmãos do meu avô nos registos civis, anos depois.
O meu avô Júlio provavelmente não foi batizado. Quem parece ter sido batizado na missão foi o irmão mais velho, Gregório Mateia, nascido muito antes de 1947. Gregório não chegou a ser padre: era auxiliar do padre na igreja de Calulo. A família por vezes dizia «padre», mas era por estar ligado à missão.
A mãe chama-se Delfina José (apelido materno José). Não era Muhongo, como tinha escrito no post original.
Eram cinco irmãos do mesmo pai: Gregório Mateia (o mais velho, nascimento estimado ~1935–36, único batizado), Armindo, Idalina, Isabel e Júlio (nascido a 28 de dezembro de 1947, o mais novo). Todos nasceram em Libolo/Calulo. No registo civil antigo, o meu avô provavelmente consta como Júlio Mateia ou Júlio José Mateia (José vem do apelido da mãe), antes de passarem a usar Matateu nos civis.
Os Espiritanos de Lisboa responderam que os livros de baptismo não vieram para Portugal: ficaram em Angola, na paróquia ou na diocese.
Continuamos sem saber o nome civil completo do bisavô (homem branco, Libolo/Calulo, c. 1930–1950), a sua origem e profissão. A família diz que morreu quando Júlio era criança - tiveram cinco filhos juntos e viveram muitos anos na mesma região.
Toda ajuda é bem-vinda. Obrigado outra vez a quem puder ajudar.
@lovebolo
Sugiro montar uma árvore pública no FamilySearch com as informações de que dispõe e depois compartilhá-la para facilitar o entendimento dos colegas.
@carlasimone
essa é a árvore: https://www.familysearch.org/fr/tree/pedigree/portrait/PFD9-69H
@lovebolo
Por alguma razão, aparece uma mensagem de erro. Poderia pôr todos os membros como falecidos? Se estiverem todos como vivos, por razões de privacidade, o FS bloqueia a visualização.
@carlasimone