Procuro certidão

Boa noite, estou ajudando meu tio (marido de minha tia) a solucionar um mistério. Ele gostaria de tentar a cidadania como neto, porém não tem documentos do avô Fabiano. Temos um RG antigo do irmão do Fabiano, que se chamava Benjamin e diz que é natural do RJ. Porém a família toda diz até hoje que eles eram portugueses e veio crianças de navio com o pai, pois é a história passada pelas gerações. Já procuramos bastante, sem sucesso. Nenhum sinal deles em Portugal.

Agradeço desde já quem puder ajudar ou nos dar dicas. Obrigada.

Segue as informações que temos:

Procura-se por Fabiano Affonso

Nascimento provável: 15/09/1889

Pai: Antonio José Affonso

Mãe: Maria Amalia

Avós paternos: Francisco José Afonso e Maria Afonso

Avós maternos: José Victorino e de Maria José

Irmão comprovado pelo RG - Benjamin Affonso - nasc: 31/01/1893

Os portugueses falavam sobre Vale de Gouvinhas, Mirandela, Bragança ( Não se tem certeza)


Obs.: Meu tio é mesmo neto de português ou será somente o bisneto, perdendo a chance da cidadania? Eis a questão. Obrigada

Comentários

  • LeoSantosLeoSantos Beta
    editado August 13

    @pamellapeluzio no Cepese consta um Fabiano que é filho de Antônio José Afonso:


    ID Nome ID Titular Nome Titular Grau Idade Sexo Civil

    53952 Fabiano 146618 António José Afonso Filho 15 Masculino Solteiro

  • @pamellapeluzio


    146618 António José Afonso Vale de Gouvinhas Mirandela Francisco Afonso Maria Joaquina Agricultor 46 Brasil Casado


    Segundo o registro do pai, eles seriam mesmo de mirandela/Vale de Gouvinhas e o Fabiano teria vindo para o Brasil com 15 anos.

  • editado August 13

    @pamellapeluzio @LeoSantos @Nairolasai

    O passaporte que o colega achou é esse. Constam o Fabiano e o Benjamim como acompanhantes; número 638:

    https://digitarq.arquivos.pt/fileViewer/0e268a5366af4b308aad6175a85a36dd?isRepresentation=false&selectedFile=38430263&fileType=IMAGE

    Porém... o Benjamim realmente nasceu e foi registrado no Rio de Janeiro em 31/01/1893; no seu registro consta que os pais casaram em São Paulo (parece ser Louveira ou Lorena):

    https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HY-63FQ-Y2G

    Benjamim foi batizado no Rio (último da página):

    https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:939F-RZ33-PM

    Isso mostra que a família transitou entre PT e BR algumas vezes. O Fabiano pode ter nascido em SP, RJ ou PT. Vamos ver se alguém acha ou o nascimento dele, ou esse casamento em SP.

  • editado August 14

    @pamellapeluzio Realmente o registro do Benjamin é do RJ. Chama tb a atenção que no passaporte de 1904 não consta o nome da mãe. Teria falecido?

    A certidão de óbito do Fabiano (embora não tão confiável) diz que nasceu no RJ. https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HT-D449-82R?view=index&personArk=%2Fark%3A%2F61903%2F1%3A1%3A79MK-8QPZ&action=view&cc=1582573&lang=pt&groupId=M941-H4C

  • @LeoSantos @Nairolasai @CarlosASP encontrei nos guardados do meu tio, uma folha de registro de um Fabiano registrado no antigo Campo Belo, Resende RJ. Ele disse que nem lembra como conseguiu e acha que não é o avô dele. Tentei procurar onde está esse livro e não achei. Pra ter certeza se é a pessoa que procuramos mesmo ou não.

    Seria muito estranho Fabiano e Benjamin nascerem no Brasil, sendo que o passaporte do pai, é posterior. Naquela época não deveria ser fácil viajar entre os países. O que acham? Deve ser a mesma pessoa?

    @LeoSantos não conhecia esse site da Cepese. Novidade para mim. ( Já dei entrada na cidadania. Mas será que eu acho por lá, o passaporte do meu avô? Pra guardar de recordação? Manoel da Rocha - 09/03/1901 - Pai: José da Rocha - Mãe: Maria Gonçalves - Batizado em Aguiar de Souza, Paredes, Porto)


  • editado August 14

    @pamellapeluzio

    Sim, esse é o nascimento de Fabiano. Olhe os nomes dos pais e avós. O declarante do nascimento foi o Jose Vitorino Correa, que é pai da Maria Amalia (e avô do Fabiano e Benjamim).

    Aqui a segunda página do registro para se ler tudo.

    https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HY-6QNQ-3DC

    Esse registro é de Itatiaia, que no passado se chamava Campo Belo e fazia parte de Resende:

    Distrito criado com a denominação de Campo Belo, pela Lei Provincial n.º 272, de 0 9-05-1842 e por Decretos Estaduais n.ºs 1, de 08-05-1892 e 1-A, de 03-06-1892, subordinado ao município de Resende.

    Pelo Decreto-lei Estadual n.º 1.056, de 31-12-1943, o distrito de Campo Belo passou a denominar-se Itatiaia.

    Elevado à categoria de município com a denominação de Itatiaia, pela Lei Estadual n.º 1.330, de 06-07-1988, desmembrado de Resende. 

    Não é muito comum, mas outro dia mesmo vi um passaporte PT com pai e vários filhos. E alguns deles estava explicitamente escrito que tinham nascido no BR.

  • @CarlosASP segue a segunda parte.

    Pois é. Naquela época era tudo tão mais dificil que não consigo imaginar essas viagens entre os dois países. Mas creio que deva ser a única alternativa viável.


  • editado August 14

    @pamellapeluzio

    Fabiano e Benjamim não eram nomes comuns na época.

    A combinação das datas de nascimento, nomes dos pais e avós (com as variações normais que aconteciam na época) deixam bem claro se tratar das mesmas pessoas.

    Também o fato de existir um RG de Benjamim como natural do RJ.

    No fim, a história da família estava certa, mas com um plot twist. Nasceram no BR, mas possivelmente foram pequenos para PT e depois voltaram (e eram percebidos como PT). Já vi casos vários de famílias que transitaram entre PT e BR mais de uma vez.

    Talvez algum parente mais velho saiba dessa conexão com a atual Itatiaia (ou região).

  • @CarlosASP ao menos o mistério foi desvendado. rs. E com um plus em informar que eles transitaram entre os países em meio a todas as dificuldades da época.

  • @CarlosASP Parabéns pelo trabalho de detetive! Mais um mistério solucionado!

  • @pamellapeluzio

    Mais para a história da família.

    O Jose Victorino teve um filho do mesmo nome, batizado em Campo Belo (Itatiaia) em 1870.

    E em 1899. esse batismo foi transcrito, com autorização do "Governador do Bispado" no livro de Vale de Gouvinhas em Mirandela, Bragança. E menciona que o Jose Victorino viveu 12 anos no BR:

    https://digitarq.arquivos.pt/fileViewer/314192d762a74339ab974dc46680e273?isRepresentation=false&selectedFile=38169353&fileType=IMAGE

    Acho que tira qualquer dúvida que a família transitou entre PT e BR.

  • @LeoSantos @CarlosASP @Nairolasai

    Fico impressionado como vcs esclareceram uma história de família complexa e interessante em questão de poucas horas!

    Realmente muito legal ler como o tópico se desenrolou até estar tudo esclarecido.

  • @LeoSantos @Nairolasai como bem lembrado pelo @ecoutinho , parabéns pelo excelente trabalho de pesquisa! Mais um mistério solucionado!

  • @CarlosASP agradecemos pelo mistério desvendado. Já rimos bastante sobre a situação. Meu tio agradeceu e agora queremos saber mais informações sobre essa família viajante. Meu tio disse: '' Poxa, viajaram mais que eu.'' rsrsrs... Foi uma enorme novidade saber que eles transitavam entre os países, em meio a tanta dificuldade. Já estamos até pensando: '' Será que eles eram pessoas que tinham posses?" Não deveria ser uma viagem barata. O que todos vocês acham?

    Agora a história só começou. Quem eram esses portugueses José Victorino e Antônio José Affonso que viajavam tanto? sogro e genro.

    Obrigada @Nairolasai e @LeoSantos por toda a colaboração e disponibilidade em ajudar. Gostaria também de saber a opinião sobre isso tudo. Obrigada.

  • editado August 14

    @pamellapeluzio

    Realmente essas viagens eram muito caras, eram apenas de navio e duravam semanas. Para a maioria dos portugueses que emigraram para o Brasil era algo que só dava para fazer uma vez na vida e mesmo assim só a “perna da ida”. A conclusão que se chega é que a família provavelmente tinha uma situação boa, diferente da grande maioria dos imigrantes portugueses da época, pois além de precisar ter dinheiro para custear a viagem a família precisava ter condição de poder ficar sem trabalhar por pelo menos uns 2 meses cada vez que fazia uma viagem dessas.

    Meu chute é que provavelmente ele emigrou para o Brasil, e se emigrou é pq em PT não tinha uma condição boa, e depois de ralar algum tempo deve ter conseguido fazer um pé de meia e se tornado comerciante e prosperado.

    É algo que, apesar de ser a minoria dos casos, era comum. Tanto que temos no Brasil o estereótipo do português que é dono de padaria, que é comerciante etc.

    Meu bisavô teve trajetória semelhante, apesar de nunca ter voltado a Portugal chegou a custear algumas viagens das irmãs ao Brasil para participarem de casamentos ou conhecerem a familia no Brasil, e regularmente mandava dinheiro para a mãe e irmãs que ficaram em PT. Pena que depois a geração dos meus avós não soube administrar e hoje estou eu aqui “descascando batatas no porão”, como diz a música do Paralamas 😂

  • @pamellapeluzio

    Além do passaporte de 1904 que o colega tinha achado, há mais dois para Antonio Jose Affonso - muito provavelmente a mesma pessoa (e não homônimo - mas existem esses também).

    A filiação a mesma; em um passaporte aparece como nascido em Bouça, que é vizinha de Vale de Gouvinhas. Parece que ele realmente nasceu em Bouça.

    https://geneall.net/pt/mapa/73/mirandela/

    https://digitarq.arquivos.pt/fileViewer/d64408b187b54ca3ac4b28c33c692b9a?isRepresentation=false&selectedFile=38116190&fileType=IMAGE

    Note que em todos passaportes, na descrição física da pessoa, aparece "cicatriz na boca" ou "queixo inferior"

    Passaporte de 1897 (número 238):

    https://digitarq.arquivos.pt/fileViewer/a20cc7dfe25c4cc2ab6b1548339f2aea?isRepresentation=false&selectedFile=38431464&fileType=IMAGE

    Passaporte de 1909 (número 461)

    https://digitarq.arquivos.pt/fileViewer/caeef5ea95ab4ab4b0a3bc775ca8cfa5?isRepresentation=false&selectedFile=38438556&fileType=IMAGE

    @ecoutinho

    Como mera curiosidade (não impacta os descendentes em questão), o que você acha do caso desse Jose Victorino, que nasceu e foi batizado no BR, mas anos depois teve o batismo "transcrito" no livro de batismos em PT? Tudo isso antes de 1911.

    Ele seria considerado PT só pelo fato do batismo ter sido lançado no livro lá?

  • editado 12:03AM

    @CarlosASP

    Eu não sou especialista no tema, então é importante levar o que eu disser como apenas uma opinião de leigo rs

    Dito isso, eu acho que apenas pelo fato de ter o assento de batismo transcrito não, mas veja o que diz o código civil da época (Código de Seabra):

    Considerando que o assento diz que ele nasceu no Brasil em 1870, viveu 12 anos no Brasil e o assento de batismo em Portugal é de 1899, quando ele tinha 29 anos, estou entendendo que ele se enquadraria no art 18.3 (filho de português, nasceu em país estrangeiro e estabeleceu residência no reino). Eu diria que sim ele seria considerado legalmente português, mas sinceramente é um "edge case" que precisaria ser confirmado por um advogado realmente especializado nessa área.

Entre ou Registre-se para fazer um comentário.