Dúvida
Prezados, boa noite
recebi hoje meu acento de nascimento e gostaria de saber como faço para marcar de ir no consulado em Sp para pagar o passaporte. Teria algum link? Alguém sabe me informar ?
Grato
Entre ou Registre-se para fazer um comentário.
Comentários
@DaniloFuentes
Na verdade o passaporte é um documento secundário e só pode ser emitido se primeiro vc tiver um Cartão de Cidadão (esse sim o documento mais importante e equivalente ao RG/CIN). O consulado de SP permite solicitar os dois documentos num único agendamento. O agendamento precisa ser feito no site https://agendamentos.mne.gov.pt/pt/login
Para poder visualizar as datas disponíveis para agendar você precisará fazer login no site utilizando a Chave Móvel Digital (CMD). Vá ao consulado qualquer dia (não precisa marcar) e peça para criar uma CMD associada ao seu celular. Não sei se ainda está assim, mas eles estavam abrindo atendimento nos sábados pela manhã exclusivamente para criar a CMD, vale conferir no site do consulado se ainda estão fazendo.
Com isso vc poderá entrar no portal de agendamentos e marcar um dia para ir ao consulado pedir o CC e o Passaporte.
@ecoutinho Queria uma opinião sincera e embasada sobre " documentos de identificação civis compulsórios "
Sabemos que há diversos países onde portar uma ID é compulsória, a depender da idade de seus cidadãos.
Mas há outros como Itália e até mesmo os 5 principais países anglófonos(EUA, UK, CAN, NZ e AUS) que não exigem de maneira " habitual " que o cidadão civil comum, porte uma ID.
O que você acha deste tipo de " sistema "?
Uma segunda dúvida é =
Uma vez que estes países não exigem um documento de identificação único(CPF nosso, CC em Portugal, ou DNI da Espanha) como fazem a devida identificação do cidadão ?
Há quem diga: " HA mas eles usam a certidão de nascimento como base ".
Mas além de erros, estes documentos sequer possuem foto, validade e outros dados importantes de um documento civil comum.
" Ah, mas tem carteira de motorista "
A habilitação, pelo pouco que sei, NÃO é um documento 100% ideal para a identificação. Até porque, não são todas as pessoas que são habilitadas, e bem como vimos por DIVERSAS VEZES aqui no fórum... cidadão estrangeiro pode obter.
Por isso o IRN pede uma ID e não licença para dirigir.
@jpvecchi
O que você acha deste tipo de " sistema "?Eu não sei se entendi bem a pergunta.
Eu moro em um país assim, a Irlanda, que do ponto de vista legal é muito semelhante ao Reino Unido. Eles sequer têm um equivalente ao Cartão de Cidadão para os irlandeses, há um documento chamado “Passaport Card” que é semelhante a um ID, mas é opcional e é atrelado ao passaporte da pessoa, que nem todo mundo ten, tem validade curta e na vida real ninguém usa. Na prática as pessoas usam a driving licence, que é um documento bastante incompleto (não consta filiação, por exemplo) e os “jovens adultos” que eventualmente ainda não têm carteira de motorista acabam indo na policia solicitando um documento chamado “Age Card” que basicamente serve para o jovem que completou 18 anos poder ir no pub e provar que tem idade para poder comprar uma cerveja. Enfim, é uma confusão.
Um imigrante que vive com visto, em teoria, precisa por lei portar na rua seu cartão de residente (aqui chama-se IRP card), que apesar ter tudo que se espera de um documento de identidade, está escrito que não serve como identificação e precisa ser apresentado junto a um id válido rsrs. Não é comum alguém te abordar na rua e pedir para ver documentos, mas como nunca se sabe, na minha carteira sempre está minha driving licence e meu CC. Minha esposa, que ainda não tem cidadania, anda na bolsa sempre com a driving licence e o cartão de residente.
como fazem a devida identificação do cidadão ?É uma verdadeira bagunça. Se a pessoa tiver uma carteira de motorista irlandesa, usam ela. Se não tiver, vale tudo: passaporte, PPS (o CPF irlandês), até cartão de pagamento de ônibus (equivalente ao Bilhete Único de SP) já vi usarem, pois tem foto.
Acho um sistema muito ruim pois é despadronizado e inseguro. No Brasil, por exemplo é muito mais organizado: a CIN/RG é o documento oficial e se a pessoa for motorista aceita-se a CNH, se for estrangeiro vivendo no país tem o RNE. É simples e sem confusão ou insegurança.
@jpvecchi
Para ilustrar o nível da bagunça: esse site abaixo do governo explica os documentos que a pessoa pode usar para se identificar na seção eleitoral na hora de votar.
https://www.gov.ie/en/department-of-housing-local-government-and-heritage/publications/id-requirements/
Olha a lista aceita rsrsrs
Até “crachá da firma” serve, mas calma que piora rsrs
Até talão de cheque e cartão do banco está valendo 🤣🤣 uma verdadeira bagunça. Tirando o lado cômico, é um prato cheio para fraudes.
@ecoutinho
Eu vou descordar um pouco.
Isso aí talvez hoje não seja algo mais válido, mas é o puro reflexo de uma sociedade construída com base na confiança.
Tem um livro, se não me engano do Henfil, narrando um tempo que ele passou lá nos EUA, e lá as pessoas votam pelos correios. E ele espantado pergunta para um americano, "mas e se alguém votar no seu lugar?, ao que o cara responde, "mas por que alguém faria isso?"
Outra coisa que nos parece estranha é que nos EUA - até não muito tempo atrás, e acho que na Inglaterra e na França era assim também - funcionários dos correios e outras agencias tinham fé pública.
Você que está na Irlanda (certo?) Pergunte para os mais velhos, os 70+, o que eles acham...
@ecoutinho @jpvecchi morei alguns anos na Inglaterra na década de 90 e aprendi que na cultura deles a palavra tem grande valor. Vc não precisava portar documentos pois bastava dizer seu nome e outras informações pois estaria dizendo a verdade. Nunca me pediram nenhum documento nem na rua, nem em outro qq local, exceto quando abri conta no banco. Bastava dizer meu nome. Se a pessoa se envolvesse em alguma confusão poderia ir na delegacia depois e levar os documentos ou a polícia ia depois na residência. Mas, se mentisse estava realmente encrencado, pois era falta grave. Daí esse aparente descaso com a apresentação de documentos pois a palavra tem, ou tinha, imenso valor.
@ecoutinho Sim, acho que entendeu SIM senhor rsrsrs.
Complementando e pegando o gancho da fala de @Nairolasai :
" Tinha-se realmente nestes países, a base sólida da CONFIANÇA DA PALAVRA. Ou seja, a pessoa se encrencava não por que não estava portando uma ID, mas por estar mentindo " .
Aí, acredito que o Brasil e demais países onde a " palavra já não era garantia de nada "(vide hoje até contratos assinados, muitas vezes não são sequer respeitados, como de sociedade, consumo e prestação de serviços) ... viu-se a necessidade do Estado meio que " impor " a identificação do cidadão.
Mas assim, voltando ao exemplo dos países que mencionei no primeiro comentário, até mesmo seu caso, a IRLANDA rsrsrs.
Vejo assim: Como HOJE o mundo está uns 1000% globalizado e integrado, com gente do mundo todo morando em diversos países... ACHO(só ACHO rs) que passou da hora onde não se tem uma identificação compulsória, a passar tê-la.
O próprio Estado fica mais " eficiente " para ver na " hora " se o sujeito é um criminoso, um possível terr0rist@ ou apenas um cidadão comum...
Como você mesmo disse @ecoutinho : padronização e aprimoramento em base de dados/cruzamento de infos em documentos como RG/CIN/CC/DNI...
Até o tal maluco do Donald Trump disse, com suas " alegações " de fraudes eleitorais...
Uai... coloca uma ID compulsória para o cidadão americano... britânico, irlandês, etc... (fora que toda esta documentação quais mencionamos = passaporte e ID... até mesmo carta de motorista... tem cadastro de DADOS BIOMÉTRICOS). Acaba a tal da " mera alegação " de voto fantasma.
Talvez só não adotaram ainda por 2 motivos: O senso comum que o Estado deva se intrometer o mínimo possível na vida do cidadão... ou mera " herança cultural orgulhosa " da tal base " da confiança da palavra "...
@jpvecchi
Tem uma nuance que nem o @ecoutinho nem @Nairolasai mencionaram: A população em geral desses países tem grande zelo (alguns dirão até excesso ou paranóia) com privacidade, e morrem de medo do governo ter um "banco de dados" com todos os dados de seus cidadãos.
Eu morei um tempo no Canadá e estive bastante nos EUA e posso dizer com toda certeza (o segundo em grau muito maior), que se o governo propusesse a criação de algo semelhante ao RG/CIN do Brasil, os protestos seriam imensos.
É claro, que na prática, o governo já tem isso aí né (exemplo SSN nos EUA), mas o propósito é outro e todo mundo finge que não, e passa...
Na prática é claro que todo mundo acaba tendo uma driver license ou passport, mas não é incomum que a identidade seja verificada pela soma de mais de uma forma de identificação.
Para muitas coisas, vale a declaração da pessoa + um desses documentos (ID), até porque a pena por uma falsa declaração é bem grave, mas não é incomum pedirem dois documentos para identificação. Lembro que recentemente teve uma discussão porque a prefeitura de NY estava pedindo 2 documentos para quem fosse trabalhar removendo neve, quando para votar exigiam apenas 1.
Como é essa questão da privacidade aí na Europa @ecoutinho ?
@eduardo_augusto
Isso aí talvez hoje não seja algo mais válido, mas é o puro reflexo de uma sociedade construída com base na confiança.
Sim, eu concordo contigo. A base é essa mesmo. O espírito em geral por aqui é mais ou menos assim: "eu acredito na sua palavra, mas se for pego na mentira as consequências são bem graves".
Por aqui minha impressão é que o país está num modelo de transição entre um modelo altamente baseado em confiança (vide o exemplo que coloquei acima) e outro em que exageram e chegam a ser invasivos na verificação de dados (por exemplo para alugar ou financiar um imóvel em que vc é obrigado até a enviar seus últimos 6 meses de extratos bancários pq a imobiliária, o locador ou o banco querem saber não apenas se você renda para pagar mas também se vc não torra todo seu dinheiro apostando em corrida de cavalos ou em bebida, algo que realmente impressiona que seja legal na Europa).
Provavelmente nos próximos anos as coisas vão convergir para algum ponto no meio entre a falta de controle do modelo antigo e o exagero das medidas que tomaram após duas crises imobiliárias e bancárias sérias (2007 e 2012).
Outra coisa que nos parece estranha é que nos EUA - até não muito tempo atrás, e acho que na Inglaterra e na França era assim também - funcionários dos correios e outras agencias tinham fé pública.
Por aqui é assim também, assim como em PT. Você pode ir numa agência do correio, agência bancária ou posto da polícia e pedir um reconhecimento de assinatura ou cópia certificada. É um reconhecimento que funciona para a maioria das situações do dia a dia, mas para coisas "mais sérias" (como entrar com um pedido de nacionalidade ou comprar um imóvel) vc precisa fazer o reconhecimento com um advogado (solicitor, como dizem aqui) ou com um notário (que não é um cartório, é só uma pessoa na comunidade nomeada pelo Estado que tem fé pública, geralmente um "vereador" ou alguma pessoa que tem uma posição de lider comunitário, mesmo que não tenha cargo público). No caso do "public notary" é curioso pois muitas vezes a pessoa te atende na casa dela ou no comércio se essa pessoa for um comerciante local rsrs.
@Nairolasai
Se a pessoa se envolvesse em alguma confusão poderia ir na delegacia depois e levar os documentos ou a polícia ia depois na residência. Mas, se mentisse estava realmente encrencado,
Aqui é assim também e confesso que no começo estranhei muito ao ouvir relatos e tomar conhecimento de que isso é uma prática normal. Bem diferente do que estamos acostumados em que, se a polícia te aborda na rua e vc não tem um documento para provar quem vc é, vc está bastante encrencado (principalmente a depender do bairro que está e da cor da sua pele).
Acho que a única situação em que basicamente não há tolerância é o trânsito. Se vc for pego dirigindo, principalmente se envolvido em um acidente, sem a driving licence ou sem o disco de seguro visível no parabrisa do carro é muito pouco provável que vá apenas ouvir do policial "vc tem 7 dias para levar seu documento na garda station". O que geralmente acontece é que o carro será recolhido e vc provavelmente vai ter que se apresentar diante de um juiz e estará bastante encrencado.
@LeoSantos
Como é essa questão da privacidade aí na Europa?
Acho que vc disse tudo. Além da questão cultural, a maioria dos países da Europa passaram em algum momento do século XX por um regime autoritário e por esse motivo há uma preocupação por aqui com privacidade muito maior do que a que existe nos EUA, por exemplo.
Eu morei um tempo no Canadá e estive bastante nos EUA e posso dizer com toda certeza (o segundo em grau muito maior), que se o governo propusesse a criação de algo semelhante ao RG/CIN do Brasil, os protestos seriam imensos.
Os EUA são um caso bastante peculiar: em teoria há uma enorme preocupação de que "não quero o Estado se metendo na minha vida", mas ninguém está nem aí se uma grande empresa privada coleta todos seus dados e faz o diabo com eles. Acho que há três exemplos ilustram bem isso: Google, Facebook/Meta e a sinistra Palantir, que não faz esforço algum para não parecer algo tirado de um livro do George Orwell.
Voltando à Europa. É meio bizarro pois parece algo bipolar. Vou dar um exemplo prático:
Se você estiver solicitando uma proposta de empréstimo em vários bancos todos eles vão te pedir que apresente 6 meses de extratos bancários de todas suas contas, pois querem ver tudo, até o cafezinho que vc compra de manhã antes de pegar o metrô. E se vc mandar dinheiro para fora vão querer saber dos extratos das contas no exterior também (mesmo que seja algo singelo como 100€ para dar um presente de aniversário para o sobrinho). Entretanto mesmo o banco em que vc tem sua conta precisa que vc explicitamente autorize que eles acessem esses dados (que eles mesmos têm) ou envie os extratos deles mesmos para serem analisados. É meio bizarro pois parece alguém invadindo sua privacidade no nível mais básico mas pedindo licença antes rsrs. É como funciona.
Eu fiz um financiamento por aqui um ano e meio atrás e é uma sensação bem desconfortável pois ao mesmo tempo que tem muita coisa bastante séria que basta vc assinar um papel e declarar e outras em que eles checam ao nível de parecer que vc está sendo investigado por um crime.
Já me alonguei demais, mas por último: Eu acho que esse sistema baseado na confiança, em que vc não precisa ter documento algum para andar na rua, é uma verdade na prática, mas legalmente se você for estrangeiro há um risco teórico. Veja o que diz a cartinha que vc recebe junto ao seu cartão de residência (o Irish Residence Permit - IRP).
Em teoria vc é obrigado a estar com ele o tempo todo pois um oficial da Garda (a polícia Irlandesa) pode pedir para ver para comprovar que vc vive legalmente no país. No meu caso, não tenho mais cartão de residente pois agora sou português, mas é por esse motivo que ando sempre com meu CC na carteira. Sendo justo, em quase 6 anos vivendo aqui nunca precisei apresentar em nenhuma abordagem e, diga-se de passagem, a polícia aqui é tão cordial e, tirando as unidades especiais, eles sequer usam arma de fogo, que é muito comum haver piadas (essa esquete aqui sobre como seria a Garda em NY é de rolar de rir), mas em teoria pode acontecer. Como aos poucos a Europa tem ficado lentamente mais rígida com estrangeiros, prefiro não correr riscos.
@LeoSantos Obrigado pelos esclarecimentos.
Eu também pensei nessa possibilidade, mas qualquer pessoa hoje SABE MUITO BEM que os Governos(através das forças do Estado) detém a informação que eles querem.
É no MÍNIMO, ingenuidade, acharem que " ainda estão num mundinho de privacidade absoluta ".
E também creio no seguinte:
Há uma linha muito tênue entre PRIVACIDADE e SEGURANÇA.
Ou você tem SEGURANÇA ou PRIVACIDADE. Ambos ao mesmo tempo é bem complexo.
Vide as questões de " anonimato " na internet.
Por que países com legislação " vigilante " detém forte controle estatal sobre usuários e seus dados?
SEGURANÇA.
A pessoa que se " esconde " atrás de um formato anônimo, e que não podemos saber " quem ela é ", é sim, bem " perigoso "
Isso bem no meio virtual da internet.