Notícias sobre cidadania Portuguesa e assuntos correlatos

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Comentários

  • No consulado de São Paulo não tinha muita gente, tudo correndo tranquilo, com fila de umas 3 pessoas, bem organizado

    Basta ter o cc válido

  • andrelasandrelas Beta
    editado January 18

    Como o horário de votação está quase no fim, acho que não tem problema ser mais direto... Disclaimer óbvio mas que sempre é importante: tudo a partir de agora é minha opinião pessoal.

    Além do Ventura (disparado o pior de todos e que dispensa comentários), há dois outros candidatos dentre os mais cotados que são bem complicados para quem cultiva os valores europeus.

    Um é o Almirante (Gouveia e Melo, sem partido), pelo que ele representa institucionalmente num país que saiu da ditadura há apenas 50 anos e que, como o Brasil, ainda tem muitas/muitos viúvas/viúvos da ditadura a dizer que "nos tempos de Salazar era melhor" (aliás, como o próprio Ventura fez, ainda que com outras palavras, não faz muito tempo).

    O outro é Cotrim de Figueiredo (Iniciativa Liberal) que, como diz o nome do partido, quer acabar com os apoios sociais, privatizar RTP, CGD, CP, segurança social, saúde, educação e até o ar que se respira em Portugal (afinal, ele é rico e não precisa de nada disso) e, cereja do bolo, admira Milei. O IL era, até pouco tempo, quase um traço nas pesquisas legislativas (e deve continuar a ser, se Deus quiser), uma espécie de Livre somado ao PCP e Bloco de Esquerda ao contrário, mas com ele na presidência teria uma vitrine importante e, adicionalmente, o PSD teria mais facilidade para passar o rolo compressor trabalhista que está tentando passar.

    O candidato do PSD (Marques Mendes) não é tão ruim quanto os acima e minha única preocupação é com a dominância do PSD tanto no parlamento quanto na presidência, em especial num momento em que são claras as tentativas de passar legislação claramente inconstitucional. É preciso um presidente (como é o Marcelo, que era do PSD antes de se eleger e se afastou por sentir que era um dever moral para ter independência) que entenda seu papel institucional acima do partidário e cumpra este papel sem pendores pessoais.

    Obviamente, listado o rol acima, entre os candidatos com alguma chance resta apenas o António José Seguro (PS). Mas, reforço, não acho que o Marques Mendes seria um desastre. Um ou outro indo para a segunda volta com o desventura (e, se nada de muito diferente acontecer, ganhando), ao menos estaremos salvos do desastre iminente.


  • Um comentário mais leve: lá também há os candidatos-piada, muito comuns nas eleições britânicas (no Brasil também mas, nesse caso, eles às vezes se elegem...).


  • Projecções: Seguro ganha, Ventura segundo e Cotrim à espreita. Mendes e Melo de fora

    A sondagem da Intercampus para a CMTV/NOW/Jornal de Negócios dá a vitória a António José Seguro, que disputará a segunda volta com André Ventura. Seguro surge com com um intervalo entre os 33,6% e os 29,6%, enquanto Ventura fica entre os 25% e os 21%). Abaixo, João Cotrim Figueiredo tem um máximo de 17,9% e um mínimo de 13,9%. Henrique Gouveia e Melo fica num intervalo entre os 14,9% e os 10,9%, à frente de Luís Marques Mendes, com um máximo de 12,3% e 8,3%. 

    A amostra desta sondagem, com simulação de voto em urna, é de 18411 entrevistas, com um erro de amostragem, para um intervalo de confiança de 95%, de mais ou menos 0,72%.

    (...)

    A projecção do ICS/Iscte/GFK/Pitagórica para SIC e CNN aponta para um primeiro lugar de António José Seguro, com valores entre os 30,8% e os 35,2%. O segundo lugar vai para André Ventura, com um intervalo entre 19,9% e 24,1%, seguida de João Cotrim de Figueiredo (16,3% e 20,1%).

    Henrique Gouveia e Melo surge em quarto lugar e poderá ter entre 9,2% e 12,4%, à frente de Luís Marques Mendes com 9,1% e 12,3%.

    Catarina Martins surge em sexto lugar e registará entre 0,9% e 2,7%, e o candidato Manuel João Vieira em sétimo, com 0,7% e 2,3%. Em oitavo surge António Filipe com 0,4% e 2%.

    (...)

    A projecção à boca das urnas feita pelo Cesop da Universidade Católica para a RTP aponta para uma vitória confortável de António José Seguro, com 30-35%.

    Em segundo lugar e mais bem posicionado para a segunda volta surge André Ventura (20-24%). Segue-se João Cotrim Figueiredo com 17% a 21%, o que permite ao candidato liberal ainda acalentar a esperança de uma passagem à segunda volta.

    Depois aparecem Henrique Gouveia e Melo (11-14%) e Luís Marques Mendes (8-11%).

    António Filipe e Catarina Martins têm entre 1% e 3%, ao passo que Manuel João Vieira (1-2%) deverá conseguir um melhor resultado do que Jorge Pinto (0-1%).

    (...)


  • Com mais de 50% dos votos contados, Seguro lidera com 30%, Ventura segue com 26%

    Numa altura em que estão contabilizados 51,63% dos votos, António José Seguro (30,02%) e André Ventura (26,25%) seguem destacados na frente a caminho de disputarem a segunda volta de 8 de Fevereiro.

    Bem mais atrás surge Marques Mendes (13,84%) e João Cotrim Figueiredo (13,09%), ao passo que Henrique Gouveia e Melo soma 11,94% dos votos já contados.

  • Os primeiros resultados no BR (de consulados menores) já saíram. Segue a tendência de os portugueses no BR votarem no Chega, como em eleições anteriores (em um comentário anterior, alguém usou a frase "é como a barata votar no chinelo"). Vale notar que um % mínimo dos inscritos nos consulados no BR votaram.

    É possível ver o resultado para cada consulado de PT no mundo inteiro, assim que eles já tiverem sido apurados. No momento que postei isso, entre os do BR, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre e Salvador tinham os resultados. Desses 5, só em Porto Alegre o Chega não ganhou.

    https://www.presidenciais2026.mai.gov.pt/resultados/estrangeiro?local=58572

  • Engraçado (trágico, na verdade) é que não é só no Brasil... no estrangeiro o Ventura ganha

  • O padrão de votação de BR que obtém outra cidadania se repete. E não aprendem com os resultados.

    Conheço vários BR com dupla cidadania da IT e sempre votaram nos partidos xenófobos de lá. Até que viram esses mesmos partidos passarem leis que acabaram com o direito à cidadania IT para os próprios parentes próximos deles...

    Nos EUA, muitos BR com dupla cidadania votaram no Trump. E agora o Trump colocou o BR na nova lista de 75 países com suspensão por tempo indeterminado dos vistos de imigrantes - inclusive para os próprios filhos e cônjuges desses BR com dupla nacionalidade...

    Pimenta nos olhos dos outros não ardia - até chegar a sua vez.

  • Uma possibilidade no Brasil (chute baseado em achismo) é que a maioria que vai votar é de radicais e, por isso, essa maioria vota no Chega. Aqui no Brasil, ao menos, uma enorme maioria de portugueses (em especial os brasileiros que se tornaram portugueses na maioridade) não acompanha nada do dia-a-dia de Portugal e não vota. Resta a minoria dos engajados e, entre estes, os radicais (de qualquer espectro político) se enquadram. Como a esquerda "radical" Portuguesa é quase inexistente, restam os eleitores do Chega e aqueles mais conscientes que vão votar prioritariamente CONTRA o Chega.

    Já na Europa o caso deve ser bem distinto. Muitos dos portugueses que emigram caem no papinho de ser "contra tudo o que está aí" da extrema-direita (que tem zero proposta). O curioso (ou trágico, como comentado) é que esses mesmos portugueses são vistos, em 90% dos outros países, da mesma forma como os eleitores do Chega olham para os brasileiros que moram em Portugal.

    No final, a resposta é sempre a mesma: xenofobia na imigração dos outros é refresco.

  • editado January 18

    Fiquei satisfeito em ver que aqui na terra da Guinness, como dizem no Rio, aquele fascista delinquente não se cria. Esse é o resultado na Irlanda. Se dependesse dos votos da comunidade lusa na terra dos leprechaums, ele não iria nem para o segundo turno.

    A propósito, dos 8.000 eleitores inscritos por aqui, apenas 11% votaram, incluindo este que vos escreve.



  •  @CarlosASP Foi eu, escrevi sobre um grupo no Facebook, onde alguns brasileiros estavam aguardando com ansiedade a dupla cidadania para votar no CHEGA? E sobre apoio que Donald Trump obteve, um nível de apoio recorde entre eleitores latinos, ao mesmo tempo em que adotou uma postura extremamente rígida sobre imigração. Trump conquistou entre 42% e 46% do votos latinos, hoje estamos a ver resultado das baratas apoiarem o chinelo, o mais lamentável é ver esses infelizes, que mesmo sabendo das as consequências ainda insiste em extrema direita. É claro que não apoio a imigração ilegal.

  • @Anabar


    Mas você conhece alguém que apoie imigração ilegal?

    Tem algum candidato, em qualquer partido, que tenha como plataforma, "é isso aí, a pessoas estão certas de vir ilegalmente e ficar aqui ilegalmente mesmo, e eu defendo que elas fiquem aqui ilegalmente mesmo?"

  • editado January 19

    @eduardo_augusto discordo, se você não sabe, muitos imigrantes, que estão ilegal vivem de trabalhos clandestinos, sendo explorados com baixos salários, quando desempregados ficam sem os seus direitos, não conseguem uma moradia digna,..isso não é #Nada legal, infelizmente as leis portuguesa é cheio de burocracia , estamos a ver as documentações se atrasarem, isto só piora a situação de muita gente. Agra estes candidatos são xenófabo... agente não viu Trumph, ANdré Ventura falar em ilegalidade, vimos foi xenofobia aos imigrantes, que os IMIGRANTES estão roubando as vagas das escolas, os empregos...

  • editado January 19

    Minha leitura sobre o resultado dessas eleições:

    • Luiz Montenegro mais uma vez mostra que é um político pequeno. Sem estatura para o cargo.
    • Dada a manchete abaixo, qual o fundamento real para alguém chamar o PSD e a IL de "direita democrática"?
    • A direita portuguesa, ao não se posicionar, corre o risco de sair dessa eleição ainda mais refém da extrema direita. Como aconteceu por sinal no Brasil e nos EUA.
    • E por último, mas não menos importante: a diáspora portuguesa é de matar de vergonha... bate palma (e vota) para quem diz que vai tirar seus direitos.


  • Eu desejo o melhor para Portugal, mas penso que quem é imigrante deveria refletir melhor sobre o voto. Pelo que observo, o André Ventura não parece ter uma boa relação com imigrantes. Vi notícias de que, no Brasil, a maioria votou nele.

    Mas sabe o que eu sinto? O brasileiro, muitas vezes, é assim: “eu já tenho os meus documentos, não moro em Portugal, então que se lasque quem está tentando se legalizar… o meu já está feito”. Infelizmente, percebo muito isso no nosso povo. União é algo que, muitas vezes, nos falta.

    Eu não tenho uma opinião formada; apenas desejo o melhor para o país. Que seja feita a vontade divina.

  • Estou inclinado a acreditar que André Ventura será sim o próximo presidente, uma vez que os votos de Cotrim, Gouveia e Melo e Marques Mendes, tem maior possibilidade de migrarem para o Chega do que para o PS.


  • editado January 19

    @Sukita1914

    Acho pouco provável (apesar de nada ser impossível). Independente de quem Gouveia e Melo, Cotrim ou Marques Mendes apoiem ou deixem de apoiar, a maioria desses eleitores não querem "tocar fogo no parquinho", que é a proposta declarada do Desventura.

    A lógica de uma eleição com voto facultativo é diferente da que estamos acostumados no Brasil, em que o voto é obrigatório. Minha aposta é que os eleitores desses três candidatos que não quiserem votar para o PS no 2o turno simplesmente não vão votar em 08/02. Já os eleitores dos demais partidos de esquerda, que somados somam algo como 250 mil votos, devem migrar em sua maioria para o Seguro.

  • @LuanParanhos , exatamente, infelizmente uma parte do povo brasileiro é egoísta, um povo desunido.

  • @LuanParanhos

    Mas sabe o que eu sinto? O brasileiro, muitas vezes, é assim: “eu já tenho os meus documentos, não moro em Portugal, então que se lasque quem está tentando se legalizar… o meu já está feito”. Infelizmente, percebo muito isso no nosso povo. União é algo que, muitas vezes, nos falta.

    De tanto macaquear os EUA, nos tornamos uma sociedade individualista como eles. Na média, nós brasileiros queremos que tudo se lasque desde que o nosso esteja garantido. É uma visão curta pois não gera riqueza, cria um ambiente propício para violência e todas demais consequências ruins.

    Por último, geralmente evito comentar esse assunto pois é de foro íntimo, mas acho que nesse caso é necessário: isso não tem absolutamente nada a ver com a vontade divina. As consequências (boas e ruins) que vierem são fruto exclusivamente da vontade das pessoas que fizeram suas escolhas. Atribuir isso à vontade divina é passar para Ele a responsabilidade pelos nossos erros. Ele nos fez livres e nos deu arbítrio justamente para podermos escolher nosso destino e de que lado estamos, e ao final vai nos julgar pelas decisões que tomamos.

  • andrelasandrelas Beta
    editado January 19

    Parte dos que votaram são portugueses expatriados de fato, não brasileiros que se tornaram portugueses. Independente disso, minha opinião é que o brasileiro médio sempre foi individualista e egoísta, em que pese a inegável e fortíssima influência do "american way of life" e da demonização de qualquer pensamento coletivo e social ("comunistas!!!") de 64 para cá, O brasileiro é muito "solidário" nas catástrofes (na minha opinião, em parte, porque se sente muito "caridoso" ao doar algo para quem "precisa"), mas não é solidário fora dela. Gérson (e aquele comercial famoso de "levar vantagem em tudo") não me deixam mentir.

    Basta ver que, num país onde 35% das pessoas ganha ATÉ um salário mínimo, e onde o salário mínimo é um salário de fome quatro vezes menor do que deveria ser, há quem defenda o congelamento desse salário para "ajustar as despesas" e, mesmo assim, seja ministro. Há quem diga que o SUS, um exemplo para o mundo e a maior conquista do pós-ditadura (e de antes também, pois na ditadura não conquistamos nada além de copa do mundo) deve ser privatizado e se torna ministro da economia. Há quem queira privatizar a Petrobras, que dá lucros astronômicos ao país, é referência mundial, e que cuida de reservas estratégicas, e seja eleito presidente. Há quem ache um absurdo que as aposentadorias até um salário-mínimo sejam reajustadas acima da inflação (e que as demais acompanhem a inflação), e tenha seguidores. Há quem queira sufocar e matar um banco de desenvolvimento que não só dá lucros enormes ao país todos os anos mas também é essencial na aplicação de políticas públicas, e seja aplaudido.

    Em resumo, há quem queira vender o país e perpetuar a escravidão do povo e seja aplaudido de pé.

    E, pasmem, quem aplaude não são os super-ricos ou muito-ricos (#). Estes, só manipulam. Os aplausos vem da claquete da classe média (#) (formadora de opinião e da qual faço parte e, por isso, falo com conforto) que, do alto do seu sentimento de que é ryyyca também, sustenta esse egoísmo. Afinal, como eles podem se sentir ricos se não houver alguém abaixo deles? Como eles podem ter prestadores de serviço, babá, diarista, empregados, se os salários aumentarem? Terão que cuidar dos próprios filhos??? Fazer faxina na própria casa??? Oh, o horror!!! O horror!!! Para isso não querem ser Europeus!

    Para estes, os culpados pela situação do país e por sua desigualdade sem igual não são os multimilionários que não pagam impostos nem os latifundiários, mas o pobre e o miserável que querem 10% de aumento no salário-mínimo para ter uma vida ligeiramente mais digna e menos difícil. Isso, sim, desequilibra o país! Agora, taxar milionários? "Que absurdo!".

    Assim, não é difícil imaginar que boa parte deles vote no Chega, aplauda o laranja, ache razoável invadir países, ameaçar outros, e trazer de volta, em pleno século 21, o imperialismo sem qualquer pudor do século 19 (digo sem pudor porque, com pudor, ele nunca deixou de existir). Alguns dos fantasmas aludidos pelo Ventura são diferentes dos aludidos por aqui ou nos EUA, mas outros (o "comunismo", a "esquerda", etc) são os mesmos. A pauta da extrema-direita é a mesma no mundo todo o que, em si só, escancara a hipocrisia: são defensores do isolamento dos países e da destruição de todo o arcabouço de arbitragem, controle e diálogo criado pós-segunda guerra mas, ao mesmo tempo, são capazes de cooperar entre si para atingir um objetivo de destruição. Não são um "fenômeno", são um projeto. E esse projeto tem financiadores e, surpresa!, esses financiadores querem que você se exploda.

    Desculpem o desabafo. E votem no segundo turno.

    (#) Sim, é uma generalização e, sim, há exceções, logo não falo especificamente de "você" que está lendo. Mas, por consequência, a existência de exceções pressupõe a existência de uma maioria clara que, sim, pensa desta forma.

  • @ecoutinho

    Só vou fazer uma pequena divergência sobre o impacto do voto obrigatório no BR.

    Na prática, deixou de existir para muita gente e isso se mostra nos crescentes índices de abstenção. No segundo turno das municipais de 2024 chegou quase a 30%, praticamente o dobro de 2000. Basicamente cresce a cada eleição - mesmo nos municípios onde se atualizou o cadastro eleitoral pela biometria (tirando os mortos, os que mudaram etc).

    É muito simples estar no município vizinho, na praia, na montanha, no interior e simplesmente abrir no celular o aplicativo do TSE e justificar a ausência no dia da eleição. Ou ir em uma seção eleitoral de outro município e fazer presencialmente. Não é necessário nenhuma justificativa. A maioria das pessoas que não está interessada em votar deixa de viajar ou estar em outro lugar (por qualquer razão) por causa da obrigatoriedade de votar presencialmente.

    Também pode regularizar via internet depois da eleições, aí mandando justificativa. Fiz isso por estar no exterior numa eleição e foi bem simples. Custo zero.

    E, se não fizer nada disso, depois pode ir numa zona eleitoral e regularizar (muita gente só faz isso quando precisa de um passaporte, concurso público etc) e pagar uma multa que foi R$3,50 na última eleição, se não me engano.

  • editado January 19

    @CarlosASP

    Eu concordo parcialmente contigo. É verdade que na prática a obrigatoriedade quase não existe e que é muito fácil e com custo baixo (ou mesmo inexistente) justificar uma ausência e, para nós da classe média que vive em cidades grandes, médias ou no exterior, o dia da eleição passa quase que batido, com muita gente indo viajar ou para praia, entretanto o país é gigantesco e a maioria da população, gente simples que vive do interior, não tem clareza disso e muitas vezes vai votar pq o prefeito ou aquele vereador que sempre desenrola um problema pediu, ou pq tem receio de não votar e perder um benefício, uma aposentadoria, ficar impedido de tirar um documento etc. Tenho família no interior de MG e cansei de ver como essa dinâmica funciona.

    É verdade também que os índices de abstenção nas eleições no Brasil estão altos e crescendo ano a ano comparados com as médias históricas, mas ainda não se compara com os países onde o voto é declaradamente facultativo. Veja o caso dessa eleição em Portugal: foi a maior taxa de participação em duas décadas e mesmo assim 38,5% dos eleitores não votaram.

    Enquanto não for formalmente facultativo, a maioria das pessoas vai continuar a tratar o voto como sendo obrigatório.

    Pessoalmente sou favorável ao voto facultativo, mas entendo também que o voto obrigatório no Brasil teve um papel importante para ajudar a consolidar o hábito de votar depois de 21 anos de ditadura e 29 anos sem poder votar para presidente.

  • editado January 19

    Como eu havia comentado acima, Luiz Montenegro vai sair dessa eleição minúsculo politicamente. Enquanto ele, mais uma vez, se acovarda e se apequena, os líderes históricos do seu partido, o PSD, declaram voto contra o Chega e a favor da democracia.

    Essa matéria me lembra aquela velha música do Chico: "Você não gosta de mim, mas sua filha gosta." 😂




    Pedro Duarte, autarca do Porto e ex-ministro de Montenegro, também anunciou no Princípio da Incerteza, da CNN e TSF, que não tem “qualquer hesitação” em dizer que votará Seguro. A conta-gotas lá vão chegando apoios, entre eles do antigo secretário de Estado e dirigente do PSD José Eduardo Martins, que diz que “para quem é militante do PSD, faz todo o sentido votar num social-democrata moderado como António José Seguro”. Somam-se o histórico deputado do PSD, Duarte Pacheco, o deputado e líder da distrital algarvia, Cristóvão Norte, e ainda os antigos autarcas de Cascais, António Capucho e Carlos Carreiras. Já Passos Coelho, que não tomou posição na primeira volta, ficará agora ao lado de Montenegro: em cima do muro.

    Para estes sociais-democratas, não cola o argumento de Ventura de que ou “se quer voltar com o socialismo para o poder ou não se quer”. Mas não só: também já os liberais Mário Amorim Lopes, Rodrigo Saraiva e Carlos Guimarães Pinto fizeram questão de se chegar à frente como apoiantes de António José Seguro na segunda volta destas eleições.


    https://www.publico.pt/2026/01/19/politica/noticia/montenegro-cima-muro-seguro-soma-apoios-psd-confronto-ideologico-ventura-2161734

  • Hoje houve uma operação policial em Portugal que prendeu trinta militantes neonazistas de um grupo que se autointitula "1143" (data alusiva à criação de Portugal):

    Faziam treinamento militar, preparavam ações para criar reações de imigrantes, participaram de diversas agressões e de tumultos em protestos pacíficos de outros grupos. Trechos:

    "O Grupo 1143, classificado pela Polícia Judiciária como uma associação criminosa neonazi, terá realizado pelo menos um “treino de combate” no ano passado e um exercício no ano anterior em que os membros terão marchado com escudos antimotim. A cúpula do grupo, liderado por Mário Machado, teria a intenção de transformar a organização numa “milícia”.

    No mesmo documento, o Ministério Público relata a publicitação nas redes sociais da realização de um “treino de combate” com utilização de pistolas airsoft — réplicas de armas de fogo utilizadas para práticas recreativas que simulam operações policiais ou situações de combate — em Maio do ano passado, em Palmela.

    (...)

    Terá sido na mesma visita que o líder do Grupo 1143 terá dado indicações ao número dois para falar com uma colega que lhe entregaria dinheiro para fazer uma bandeira gigante do profeta Maomé com uma bomba, para ser usada na manifestação do próximo 10 de Junho, em Coimbra. O objectivo, diz-se no documento, seria provocar reacções negativas e até violentas da comunidade muçulmana em Portugal.

    Pois bem (GRIFOS MEUS):

    Um sargento da força aérea, um polícia do comando de Setúbal, um profissional de saúde, três militantes ou ex-militantes e candidatos do Chega, dois candidatos pelo partido de extrema-direita Ergue-te e um do extinto PNR. Participantes em mesas de voto em diversas eleições. Um condenado por furto, um jogador de rugby com processos disciplinares por agressões, um membro dos Super Dragões, condenado num processo por causa de um plano de intimidação que culminou em agressões.

    (...)

    Entre os militantes do Chega, estão João Peixoto, cabeça de lista do Chega à União de Freguesias de Selho S. Lourenço e Gominhães, ex-dirigente concelhio do partido que fazia ao mesmo tempo parte do 1143, administrando a célula de Guimarães no Telegram, segundo o jornalista Miguel Carvalho relata no seu livro Por Dentro do Chega. ​

    Ligado ao Chega está também Rui Roque, autor de uma petição para retirar os ovários a mulheres que quisessem abortar no SNS, que chegou a ser declarado expulso do partido de André Ventura, mas que, segundo Miguel Carvalho, até acabou eleito para o conselho nacional, numa lista opositora à direcção. Em 2024, segundo informação pública, Roque foi candidato do Ergue-te às eleições legislativas. Já José Luís Soares foi candidato pelo PNR, que deu origem ao Ergue-te, nas eleições autárquicas de 2007.

    (...)

    As conexões do 1143 ao Chega são, aliás, referidas pelo jornalista Miguel Carvalho no livro que refere que, em declarações públicas, Ventura afastava as aproximações do partido a grupos violentos e radicais, mas coexistiam pelo menos duas corrente, uma delas ligada justamente ao 1143 — Machado até descreveu o Chega como um 'cavalo de Tróia' da extrema-direita no Parlamento e apelou à entrada de "nacionalistas" no partido, à semelhança do que fizera anteriormente com os skinheads e o PNR. “Gonçalo Aidos, então responsável pelos contactos internacionais do movimento neonazi Nova Ordem Social (NOS), foi um dos que se aproximou do Chega. Em 2020, fez um contributo simbólico ao partido. As minhas fontes policiais e nas «secretas» confirmavam: centenas de perfis associados a membros e simpatizantes do Grupo 1143 nas redes sociais apoiavam as causas do partido de Ventura.”

    (...)

    Na terça-feira a PJ não quis especificar os perfis dos "não civis". Segundo a PJ, os detidos difundiam a ideologia neonazi, “inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, e agiam por motivos racistas e xenófobos com o objectivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes”. Trata-se de membros do grupo 1143, liderado por Mário Machado.


  • Liguei para o consulado do Rio de Janeiro para saber sobre horários da votação do segundo turno. Eles estarão abertos:

    • Sábado, dia 7, das 8h às 19h
    • Domingo, dia 8, das 8h às 17h
  • @andrelas membros do Chega neonazis, agora fiquei surpreso hein, quem diria rsrs


  • A “sopa da pedra” dos portugueses na Europa e os recados de Marcelo para Ventura e Trump

    Cerimónia dos 40 anos da adesão de Portugal e Espanha à CEE foi marcada por uma espécie de juramento de fidelidade portuguesa. Marcelo está em modo despedida, sempre a puxar pelo orgulho nacional

    Os caminhos de Portugal e Espanha, apesar do “desassossego constante”, sempre foram paralelos, e Marcelo Rebelo de Sousa quis reforçar essa ligação apresentando-se de gravata preta ao lado do rei Felipe VI, que cumpria o segundo de três dias de luto nacional pelo acidente em Córdoba. No Parlamento Europeu, em Estrasburgo, assinalaram-se os 40 anos de adesão dos dois países à então Comunidade Económica Europeia (CEE) com os olhos postos no que une Portugal, Espanha e a Europa. Com duas certezas de Marcelo Rebelo de Sousa: “Não há portugueses puros”, mas sim “portugueses diversos”, e “não há quem consiga hoje refazer pela força a divisão de hemisférios do passado e sonhar controlar o seu hemisfério, ou resolver problemas universais por si só”.

    O recado sobre a pureza parecia ir, novamente, para o Chega (como aconteceu na cerimónia do 10 de Junho, exactamente com o mesmo termo), e o da luta pelo poder era sobre Donald Trump e Vladimir Putin. “Falhará quem o tente no século XXI, como falharam outros no século XX”, avisou. A ironia? Portugal e Espanha também dividiram o mundo entre si há 532 anos, no Tratado de Tordesilhas.

    O Presidente da República defendeu não ser possível resolver os problemas internacionais “ignorando a Europa, o seu poder nos valores, na justiça social e na economia mundial”, porque ela “é o berço da democracia, o farol das liberdades, o esteio do Estado de direito, a referência do Estado Social”.

    Marcelo começara por falar da História do país a partir do nascimento do reino de Portugal, decorrente dos futuros reinos de Espanha e França, a que se somaram “linhagens vindas de outras Europas”, de África e das Ásias, mais tarde das Américas e das Oceanias, “num caldo de etnias, de culturas e de religiões”.

    “Somos europeus desde as raízes. E essas raízes mesclaram-se, logo à partida, com as de outros continentes, de outros universos. Por isso não há portugueses puros, há portugueses diversos, na sua riqueza cultural.”

    Pontes para África e América

    “É, hoje, moda do momento, esquecer, minimizar, diminuir a Europa e o seu papel no mundo”, apontou, pedindo que não se duvide do seu poder. “Temos mais liberdade, democracia, Estado de direito. Muitos países estão em lugar cimeiro do desenvolvimento humano e dos padrões de igualdade social. Temos um mercado dos maiores do mundo. Garantimos condições de vida comparativamente superiores à generalidade dos Estados. Somos um destino sonhado por tantos, de todos os continentes.”

    Mas é preciso mais, admitiu: “Mais juventude, mais conhecimento, mais ciência, mais tecnologia, mais segurança comum, mais crescimento, mais capacidade de mudança dos nossos sistemas políticos, económicos e sociais, mais unidade, mais futuro.” Um trabalho que deve ser feito com parceiros como o Reino Unido e os Estados Unidos da América, desejou. “Europeus sempre. Transatlânticos sempre. Universais sempre.”

    Na plateia, António Costa, que fora ao plenário defender o acordo do Mercosul pouco antes, aplaudiu. O presidente do Conselho Europeu tinha até apanhado boleia no avião presidencial na terça-feira, durante a qual ambos recordaram a convivência no poder do país.

    A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, salientou a contribuição de Portugal e Espanha como “pontes para a América Latina e África”: "Lideraram a abordagem europeia em tantas questões.” A que somou o modo como ambos assumiram o projecto europeu no seu quotidiano, "moldando a forma como trabalhavam, estudavam, viajavam e imaginavam o futuro das suas famílias”. E aludiu às mensagens natalícias de Marcelo e de Felipe VI, que coincidiram no aviso de que “a democracia só perdura quando é cuidada, e a paz só [dura] quando a dignidade é respeitada”, uma “verdade que fala directamente à Europa de hoje”.

    Já o rei de Espanha disse que “nunca antes, como nestes tempos sombrios, a ideia de Europa foi tão necessária (...) uma referência ética e política, um espaço de liberdades e justiça social”.

    A liberdade e o aviso aos jovens

    A visita de Marcelo ao Parlamento Europeu terminou com uma reunião com os eurodeputados portugueses, a quem disse ter deixado uma mensagem “sobre o orgulho pelo peso que Portugal tem na Europa e no mundo”. Falando no final aos jornalistas, elencou cargos exercidos por portugueses (prestigiados e muito influentes) nas instituições europeias e o “prestígio” de que o país, embora pequeno, beneficia.

    “Porque fazemos pontes impossíveis, falamos com todos. Às vezes, sem ingredientes suficientes fazemos sopa da pedra.” Acrescentou que os parlamentares portugueses, “independentemente dos partidos, quando chegam às questões vitais para o país percebem como é importante, dentro da diversidade de opiniões, convergirem.” E mesmo que troquem pedradas, é com “pedra mole, de lioz, muito mais flexível e maleável que as outras, não fere tanto”.

    Além de recordar a sua participação na vida europeia como chefe de Estado, Marcelo falou do “sonho da vida” antes da adesão que a Europa representou para a sua geração: a liberdade, a democracia, o “contacto cultural e civilizacional”. “Sermos europeus de corpo inteiro. Não éramos; éramos uma fatia.” “Quando [se] olha para trás, houve muita coisa e sonhos que se perderam ou não se construíram. A democracia e a liberdade podiam ser melhores (…) mas a pior democracia é sempre melhor que a melhor das ditaduras. E a liberdade, mesmo a mais estreita, é melhor do que a não-liberdade. A concretização da Europa foi, de facto, um sonho largamente realizado”, defende.

    Salientando que a Europa hoje “não tem nada a ver com o que era há 40 anos”, o Presidente deixou um alerta aos mais jovens sobre a liberdade e a Europa como a conhecemos hoje. “Não é um dado adquirido. E deu um trabalhão enorme a construir a Europa. E dá um trabalhão enorme refazê-la constantemente.” Mas entre o que correu mal e bem, “o prato da balança positiva é muito maior”.

    E um balanço do mandato em Belém, desafiaram os jornalistas, depois de Marcelo ter dito que antes de deixar a Presidência ainda tenciona dar “um pulinho” à Madeira e aos Açores. “Não, isso fazem os analistas. Eu reformei-me como analista; já perdi a mão.”

  • @andrelas @LeoSantos e demais colegas.

    Com duas certezas de Marcelo Rebelo de Sousa: “Não há portugueses puros”, mas sim “portugueses diversos”, e “não há quem consiga hoje refazer pela força a divisão de hemisférios do passado e sonhar controlar o seu hemisfério, ou resolver problemas universais por si só”.

    Me impressiona como nesses tempos em que vivemos é importante dizer e reforçar o óbvio. Acho que não é segredo para ninguém aqui a admiração que tenho pelo Marcelo Rebelo. Vai fazer falta.

  • @ecoutinho


    Acho que não é segredo para ninguém aqui a admiração que tenho pelo Marcelo Rebelo.


    Eu já disse aqui antes, mas faço minhas as suas palavras. Além de ser um humano excepcional, ele honrou o cargo que ocupa como poucos. Vai fazer falta mesmo.

  • Casal candidato do Chega em Guimarães tinha dezenas de artefactos do 1143, militar guardava escudos e bombas de fumo

    Dezenas de t-shirts, camisolas, suásticas, imagens de Hitler e Salazar, cachecóis, anéis, muitos deles com inscrições como “1143” e “Guimarães 1143” estão entre o material apreendido pela PJ.

    O casal de Guimarães que foi candidato a eleições pelo Chega, Rita Castro e João Peixoto, tinha na sua posse dezenas de artigos ligados ao 1143. A lista referente à busca em casa do casal é das mais extensas do despacho de apresentação dos detidos ao juiz: são quase dez páginas a elencar megafones, vestuário, bandeiras, faixas, autocolantes, equipamentos de som, acessórios, objectos de propaganda e documentação interna. Dezenas de t-shirts, camisolas, casacos, cachecóis, anéis e outros artigos, muitos deles com inscrições como “1143”, “Grupo 1143”, “Guimarães 1143”, “Orgulhosamente SÓS 1143”, “Irmandade”, “Nacionalismo não é crime”, “Os lobos não usam coleira”, ou imagens de figuras históricas e símbolos nacionalistas como “Remigração 1143” e outra com mensagens de teor político-religioso atribuídas ao grupo 1143, a merecer por parte do Ministério Público a acusação de discriminação e incitamento ao ódio e de o casal estar a preparar-se para um “combate urbano”, e “eventualmente [para] uma guerra racial”.

    O despacho elenca ainda diverso material de mobilização encontrado em sua casa: além dos megafones, tubos extensíveis para bandeiras, centenas de autocolantes, agrupáveis em várias categorias: autocolantes com o número “1143”, com slogans como “remigração”, “Portugal aos verdadeiros portugueses”, “Grupo 1143”, autocolantes com mensagens contra os antifascistas e outros com referências a organizações, núcleos locais, símbolos estrangeiros e frases em várias línguas. Há também panfletos com referência a jantares do grupo e folhas com listagens de nomes e valores monetários, algumas com a indicação “Pago”.

    Rita Castro, segundo dados apresentados pelo Ministério Público, seria uma das principais contribuintes financeiras do Grupo 1143, que se autofinanciaria com venda de produtos de merchandising.

    (...)

    Militar com tochas e escudos

    Também em casa do militar da Força Aérea, membro da banda de música das Forças Armadas, foi encontrado um conjunto alargado de objectos com referências explícitas ao número “1143” e a mensagens associadas a ideologia extremista, entre eles nove escudos de protecção pessoal, de tipo antimotim, todos com o número “1143”. Havia ainda uma centena de tochas, bandeiras da República Portuguesa com haste, 11 sacos com foguetes, quatro very lights, oito latas com bombas de fumo, nove caixas identificadas como “strobo maniax”, contendo material pirotécnico ou luminoso, e apitos.

    Entre o material apreendido encontram-se duas telas de lona de grandes dimensões, uma com o termo “remigração”. A outra exibia, numa das faces, a frase “Quem não é patriota não é português, honra e glória ao grupo 1143” e, na face oposta, os dizeres “Salvar o clima, Europa sustentável, vota Bloco de Esquerda”. Foram ainda apreendidos sete autocolantes com a frase “White lives matter”, um tambor com a inscrição “43” e duas baquetas, bem como uma pasta contendo um manual intitulado “Aliança Anglo Lusa n.º 2 – Guerra Mundial: A Nato”. Noutros sacos encontravam-se 17 livros, um cachecol, várias peças de vestuário.

    Em casa deste militar estavam ainda dois livros: A Mentalidade, 12 Avisos da História Nazi, de Laurence Rees, e Por dentro do Chega, A face Oculta da Extrema-Direita em Portugal, de Miguel Carvalho.

    Já em casa de Rui Roque, que foi militante e candidato do Chega e que apresentou uma proposta de retirada dos ovários a mulheres que abortassem, foi apreendido material como um taco de basebol, cartazes, panfletos, jornais, folhas manuscritas e impressas, um livro e um certificado de presença relativos a actividades associadas ao “Escudo Identitário”, bem como diversos panfletos e documentos alusivos ao grupo 1143 e a outras organizações de ideologia nacionalista e fascista.

    Foram apreendidos autocolantes e símbolos, incluindo autocolantes associados ao partido PNR, um pin com o símbolo do grupo 1143 e outros materiais com simbologia política diversa. Roque é suspeito de ter colocado um outdoor em Faro a dizer “Menos imigrantes menos crime”. E é acusado de proferir um discurso onde diz coisas como “Em Portugal mandam os Portugueses …”; e, referindo-se a imigrantes não europeus: “… queremos essa gente fora daqui… já!...”.

    Tendo apoiado André Ventura, como vários dos membros do 1143 fizeram nas redes sociais, é um dos cinco militantes do Chega entre os detidos.

    Além do casal de Guimarães e de Rui Roque, há também André Caeiro, que tem como pseudónimo nas redes sociais “Rosnador”, e foi do PNR e militante do Chega até recentemente, e frequenta as manifestações do 1143. As ligações do Chega ao movimento são conhecidas: Mário Machado chegou a elogiar o partido por permitir “normalizar” o seu discurso extremista.

    Agente da PSP foi delegado ao congresso do Chega

    O quinto militante é um agente da PSP que foi mesmo delegado ao sexto congresso do partido em 2024. Em sua casa tinha pouco material do grupo, mas a PJ encontrou uma soqueira metálica, dita boxer, de cor bronze, com quatro dedos de pega, com as inscrições “Boxer” e “Patent”, que lhe vale a acusação de posse de arma proibida. Entre o material apreendido, havia uma t-shirt com “1143” impresso ou dois livros como Malhar na Esquerda! Pensar à direita!, de autores variados, e um caderno de notas A5, de capa rija de cor azul, com o título “Por Portugal Adoro Malhar na Esquerda – Vou tomar notas!”, sem qualquer apontamento ou anotação inscrita.

    Entre os detidos há oito arguidos indiciados por um crime de detenção de arma proibida. Neste rol, foram encontradas duas espingardas, um revólver, uma pistola, uma arma de fogo modificada e várias armas de ar comprimido. A cinco suspeitos foram apreendidas soqueiras e a outros tantos mais de 140 munições. Foram também confiscadas várias armas airsoft, nomeadamente uma réplica de uma espingarda com alguns projectéis de plástico.

    Ao número dois do grupo, Gil Costa, que assumiu a liderança da organização quando em Maio do ano passado Mário Machado foi para a cadeia cumprir uma pena de prisão, foi apreendido um conjunto de quatro walkie talkies profissionais, além de inúmeras peças de vestuário com a inscrição 1143.

    Outros membros da organização tinham roupa ou objectos com a imagem dos ditadores alemão e português, Adolf Hitler e António Oliveira Salazar. Foram encontrados isqueiros, porta-chaves, calendários, livros e até bustos. Também foram apreendidos objectos com a cruz suástica, um símbolo usado pelo partido nazi, como uma cruz de ferro e um fio com pendente

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