Notícias sobre cidadania Portuguesa e assuntos correlatos

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Comentários

  • editado December 2025

    @marcelloamr

    Fiquei curioso e dei uma pesquisada. Ao que parece, o problema não é ter sido bem pago, é nunca ter informado que esse contrato existiu, mesmo quando perguntado, e a aparência de que o serviço prestado era na verdade tráfico de influência (ou lobby, na versão gourmet dos estado-unidenses).

    Numa campanha política para um cargo desses é assim mesmo, a vida do cara é virada do avesso e qualquer coisa que não esteja bem explicada (mesmo que não tenha nada de errado) é usada.

    Isso é do jogo, o que particularmente eu acho errado é quando a notícia é falsa e inventada, que é outra arma política muito comum principalmente nesses tempos que vivemos.




  • Todos os Natais, os cristãos acreditam mais na sua fé e todos, cristãos, outros crentes e não crentes, vivem a família, o encontro, o reencontro, a partilha possível para cada uma e cada um. Diferentes. Que não há duas pessoas iguais. E muitos de nós recordam - na sua solidão ou no meio dos abraços e beijos de Natal - aquelas e aqueles que não têm Natal, nunca tiveram e nunca terão. Porque a miséria, a guerra, a morte, a doença ou a distância dos seus entes queridos toldam de uma tristeza, saudade, melancolia, dor, a alegria, mesmo se só possível, de um tempo de esperança. As televisões recordam os que sofrem na Ucrânia, no Médio Oriente, no Sudão. Mais raramente, o s que nasceram, vivem e morrem sem nunca ninguém saber que existem e quem são. Ainda assim, no Natal há quem pare um minuto para não se esquecer desses milhares de milhões sem Natal, ou milhões para quem o Natal em guerra passou a ser um modo de viver o Natal. Este ano, não sei porquê, lembrei-me de Jorge Sampaio. Estávamos em 1989. E concorríamos os dois - amigos já antigos, filhos de pais amigos já antigos - à Câmara de Lisboa. Caiu o muro de Berlim. E eu sublinhei esse momento decisivo na História contemporânea - e que viria a substituir as duas superpotências de décadas pelas duas superpotências de hoje, com a que deixou de o ser a nunca desistir do sonho do que fora. E converti o momento, em sinal para o futuro, também de Portugal.

    Aí, Jorge Sampaio respondeu a essa minha chamada de atenção - diria de razão na mudança no Mundo, mas, igualmente, conveniente como arma eleitoral - com um comentário muito simples e muito poderoso - "mais importantes do que o muro de Berlim são os muros que existem na nossa terra". Não garanto o rigor dos termos, mas a ideia era essa.

    E, este ano, este Natal, lembrei-me de Jorge Sampaio e da sua frase, obviamente eleitoral, mas, essencialmente, justa e certeira. Quase quarenta anos depois, Natal que ignore os muros de Berlim de hoje, os de lá de fora, os das guerras, ódios, disputas, pobrezas do Mundo, não é Natal, nem é nada. Porque, mais do que nunca, somos um só planeta, um só Mundo, uma só Humanidade.

    Os muros dos outros são os nossos muros. As fronteiras, as opressões, os sofrimentos dos outros, são as nossas fronteiras, opressões, sofrimentos. E as suas esperanças, ainda que muitos vagas, muito ténues, muito precárias, são as nossas esperanças. Para já do cessar-fogo no Médio Oriente, na Palestina, em Gaza. Ainda não na tão mais próxima Ucrânia.

    Eu tinha razão ao falar no muro de Berlim. Nos muros lá de fora, que são cá de dentro. Inevitavelmente. Só que Jorge Sampaio tinha razão ao evocar os muros nascidos e agravados cá dentro. E que, alguns deles, não pararam de se agravar.

    A pobreza já foi mais grave e já foi menos grave. Mas nunca deixou ser grave demais para o todo nacional que somos. Antigos muros caíram. Novos muros se ergueram. Pobreza com envelhecimento coletivo imparável. Menos jovens a ficarem e mais gerações antigas a entrarem em becos sem saída. Mais leis a prometerem melhor futuro com mais abertura, tolerância, paz, segurança e, ao mesmo tempo, mais medos, reais ou imaginários, mas todos vividos como reais, a convidarem a mais muros, muros mais altos, tão altos que não se veja nada senão muros.

    Foi assim, veio-me à memória a frase de Jorge Sampaio, este ano, este Natal. Quer isto dizer que deixemos de estar atentos aos muros lá de fora? Claro que não. Eles são ou serão, mais dia menos dia, nossos. Quer isto dizer que desanimemos, desistamos da esperança, sempre, e, em especial, no Natal? Claro que não. Há muros que podem ser difíceis de demolir. Porém não são impossíveis. Quer isto dizer que percamos a esperança neste Natal, e fora dele e sempre? Claro que não. Umas vezes, ajudamos a derrubar muros. Outras, fracassamos. E o mais avisado talvez seja, neste Natal, revermos o rol dos muros mais urgentes de superar. Sem respondermos a um muro com outro muro. Que os muros tendem a alimentar-se de outros muros. E isso não cria esperança, alimenta condomínios fechados de egoísmos em que só alguns têm direito ao Natal.

  • Foi publicado hoje no diário da Republica o Acórdão do Tribunal Constitucional que declara a inconstitucionalidade de normas de alteração à Lei da Nacionalidade.


  • Fui fazer meu cartão cidadão no consulado de SP, não coletaram minhas digitais (achei que era necessário) perguntei se o NIF já viria automático nesse novo modelo, ela respondeu que somente em Lisboa para fazer. Quanto ao passaporte o sistema estava fora do ar 👀

  • andrelasandrelas Beta
    editado January 6

    Tenho andado sumido, mas devo voltar à ativa. 😁 Fim de ano, limpeza de mente, embora o ditador de mãos, moral e humanidade pequenas e ego frágil tenha me feito perder toda a paz de espírito logo no início do ano e perguntar onde está esse meteoro que não chega, fato agravado pela reação ridícula dos líderes Europeus, à exceção do sempre fantástico Pedro Sánchez (PM espanhol). Votaria nele repetidamente se espanhol fosse.

    Voltando ao nosso tema depois desse desabafo: não tenho como postar o texto do artigo acima aqui porque na verdade se trata de uma página interativa, mas seguem as informações básicas:

    • Quase 100% de probabilidade de segundo turno:
    • Probabilidade de confrontos no segundo turno (ou seja, de quem irá ao segundo turno):
    • Probabilidade de ser eleito presidente (seja em um improvável primeiro ou um quase certo segundo turno)
    • Evolução dos votos ao longo dos meses NO PRIMEIRO TURNO:
    • Entretanto, como a rejeição ao mini-Trump Ventura é altíssima (felizmente), é mínima até o momento a probabilidade de que ele vença um segundo turno, seja contra quem for (perderia até de um boneco de posto pelas sondagens):

    (CONTINUA...)

  • (CONTINUAÇÃO)

    Resumo da situação (PARTE DO ARTIGO, não fui eu que escrevi):

    A menos de um mês da primeira volta das eleições presidenciais, os cenários multiplicam-se: André Ventura lidera a probabilidade de ir à segunda volta (67%), mas Marques Mendes continua o favorito para vencer (50%). Seguro e Gouveia e Melo surgem agora como terceira e quarta forças reais na corrida, com cerca de 19% e 18% de probabilidade de vitória, respetivamente.

    A primeira leva da sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN mostra Seguro, Gouveia e Melo e Ventura separados por quatro décimas, com Marques Mendes — até há bem pouco tempo um favorito a vencer a primeira volta — a surgir atrás de Cotrim Figueiredo. Tudo muito próximo, sempre dentro dos intervalos de confiança.

    Vamos, por isso, àquilo que o algoritmo do PÚBLICO nos permite dizer: uma segunda volta é quase uma certeza absoluta e o candidato mais bem posicionado a passar à segunda volta continua a ser André Ventura. A probabilidade do líder do Chega chegar à segunda volta é de quase 70% — isto é, em sete de dez simulações, Ventura está entre os dois mais votados da primeira volta. Mas uma vitória à segunda volta do líder do Chega é, ainda assim, pouco provável: sete em 100, a mesma probabilidade de escolher aleatoriamente a carta de copas num baralho de cartas.

    António José Seguro — que chegou a ter uma possibilidade de ir à segunda volta na casa dos 11% — é agora o segundo candidato com mais probabilidades de vencer a eleição. Marques Mendes, apesar da sondagem francamente baixa da Pitagórica (15,4%), continua a ser aquele melhor posicionado para vencer as eleições presidenciais à segunda volta — a agregação do PÚBLICO ainda o coloca na casa dos 19%.

    Os números essenciais

    • Segunda volta é quase certa: se há coisa que as sondagens nos permitem dizer com um grande grau de certeza é mesmo isso: 99,97% dos cenários simulados deram em segunda volta.
    • Cenário mais provável: Ventura vs. Mendes continua a ser o duelo mais provável, mas perde força; Melo vs. Mendes, Ventura vs. Seguro e Ventura vs. Melo são também hipóteses a considerar.

    Os outros candidatos

    • Gouveia e Melo: o almirante desvalorizou a descida nas sondagens, mas a trajectória deveria, no mínimo, preocupar. É certo que Gouveia e Melo continua a ter a terceira probabilidade mais alta de passar à segunda volta, mas está agora praticamente empatado com António José Seguro e Cotrim Figueiredo.
    • Cotrim Figueiredo: com um pouco mais de esforço, Cotrim Figueiredo conseguia desenhar o símbolo da Nike no gráfico das sondagens. A subida na tendência de voto coloca o candidato da Iniciativa Liberal praticamente empatado com Gouveia e Melo e António José Seguro. Há ainda poucas sondagens que consideram Cotrim nas contas de uma segunda volta, mas o que temos dá ao liberal uma probabilidade de vir a ser Presidente em 6 de 100 cenários.
    • Catarina Martins: a linha de tendência da bloquista mostra uma queda lenta. Mas é uma queda. A agregação das sondagens dá a Catarina Martins 4%, que é o suficiente para a bloquista ir à segunda volta em 1 de 100 cenários. É a única candidata à esquerda do candidato do PS a poder sequer sonhar com tal.
    • Jorge Pinto: o candidato do Livre ainda não era nascido quando Manuela Bravo levou Sobe, Sobe, Balão Sobe ao Festival Eurovisão da Canção de 1979, mas a linha de tendência das sondagens do candidato parece inspirar-se nessa canção. Pinto passou de 0,5% para 2,7% em três meses. Não chega para sequer poder sonhar com uma remota hipótese de ir à segunda volta, mas impressiona.
    • António Filipe: o candidato do PCP continua a descer e poderá, muito em breve, ser ultrapassado pelo Livre.

    O que pode mudar

    Para quem gosta de sondagens, as próximas semanas serão um fartote.

    A questão será saber como distinguir o sinal do ruído — e este GPS serve para isso — e saber, com certeza, se as sondagens estão a captar bem as dinâmicas de voto. Com os candidatos tão taco a taco e com as caravanas na rua, resta-nos esperar por novos dados.

    Quando são as eleições presidenciais 2026?

    As eleições presidenciais de 2026 em Portugal realizam-se a 18 de Janeiro de 2026 (primeira volta). Caso nenhum candidato obtenha mais de 50% dos votos, a segunda volta decorrerá a 8 de Fevereiro de 2026.

    AOS QUE JÁ SÃO PORTUGUESES: V-O-T-E-M, nos dois turnos, por favor!

  • Adicionalmente, eu conheço pouco sobre o Marques Mendes que, no momento, é o candidato com maiores chances de ser eleito. Ele é do PSD, mas o Marcelo também era quando se elegeu (se afastou do partido por decisão institucional, de forma a ter maior independência como presidente - o que mostra o estadista que é), ou seja, isso não necessariamente é um problema. O que eu conhecia dele é do tempo em que ele foi comentador (como eles chamam os comentaristas) no jornal da SIC. Porém, pelo discurso, me parece (bem) mais próximo do Marcelo do que do Ventura, embora não seja um outro Marcelo (esse é difícil substituir).

    Assim, pedi ao ChatGPT (que, para questões históricas e avaliações contextuais, é razoavelmente capaz e erra menos) para me dar um perfil do Marques Mendes, comparando-o com o Marcelo, o Ventura, e levando em conta o momento atual de aproximação do PSD com o protofascismo. Segue a resposta caso alguém se interesse:

    (DAQUI PARA BAIXO O TEXTO É DO CHATGPT, QUE PODE CONTER ERROS - É UMA AVALIAÇÃO SUBJETIVA)

    A resposta curta é: Marques Mendes deverá situar-se muito mais perto do modelo institucional de Marcelo Rebelo de Sousa do que de qualquer tentação populista, mas não com a mesma margem de independência simbólica nem com o mesmo capital de autoridade moral.

    Desdobrando isso com mais precisão:

    Continuidade institucional (o cenário mais provável)

    Luís Marques Mendes tem um perfil constitucionalista, legalista e moderado. A sua trajectória política e mediática aponta para:

    • Respeito estrito pela Constituição e pelos limites do cargo presidencial
    • Evitação de confrontos directos com o Governo, salvo em casos graves
    • Uso frequente do papel presidencial como árbitro, moderador e pedagogo, não como actor político activo

    Nesse sentido, não se espera um Presidente interventivo no estilo “chefe de oposição”, nem alguém disposto a testar os limites constitucionais.

    Diferenças relevantes face a Marcelo Rebelo de Sousa

    Apesar das semelhanças institucionais, há diferenças importantes:

    • Marcelo construiu uma autoridade pessoal transversal, acima dos partidos, reforçada pela sua ruptura formal com o PSD
    • Marques Mendes é visto como figura orgânica do PSD, mesmo que formalmente independente
    • Marcelo tinha uma capacidade única de condicionar politicamente sem confrontar; Mendes tende a ser mais previsível e menos carismático

    Resultado provável: um Presidente mais discreto, menos “presente” no espaço público, e com menor capacidade de pressão simbólica sobre o Governo.

    A questão Ventura e a extrema-direita

    Aqui está o ponto mais sensível.

    André Ventura representa uma ruptura clara com o consenso constitucional. Neste aspecto:

    • Não é plausível que Marques Mendes legitime discursos ou práticas anti-constitucionais
    • É expectável que funcione como travão institucional caso a extrema-direita tente normalizar ataques à Constituição, ao Estado de direito ou a minorias
    • Contudo, é improvável que faça denúncias públicas contundentes como as que, noutros contextos, Marcelo fez implicitamente

    Ou seja: defenderá as instituições, mas sem dramatização nem confronto retórico.

    Relação com o Governo de Luís Montenegro

    Este é o verdadeiro teste:

    • Marques Mendes não bloqueará preventivamente um Governo PSD mesmo que este dependa, indirectamente, do apoio da extrema-direita
    • Mas tenderá a impor limites claros se houver deriva constitucional, abusos legislativos ou afronta directa a direitos fundamentais
    • O seu estilo será o da pressão nos bastidores, não da exposição pública

    Isto significa que a defesa da Constituição existirá, mas será mais silenciosa e menos visível do que muitos gostariam.

    Em síntese

    O que se pode realisticamente esperar:

    • ✔️ Um Presidente institucional, previsível e constitucionalmente correcto
    • ✔️ Um travão à radicalização, mas sem protagonismo
    • ❌ Não um Marcelo 2.0
    • ❌ Não um cúmplice de Ventura
    • ❌ Não um Presidente disposto a confrontos políticos frontais

    O maior risco não é uma ruptura institucional, mas sim uma presidência excessivamente discreta num momento em que o sistema político português pode precisar de sinais claros, públicos e firmes de defesa do regime democrático.

  • editado January 6

    @MalloneBarros

    perguntei se o NIF já viria automático nesse novo modelo, ela respondeu que somente em Lisboa para fazer.

    Se não mudaram o processo agora na virada do ano, é para vir o NIF atribuido sim. Meu irmão fez o primeiro CC dele no consulado de SP ano passado e veio com NIF normalmente. Eu fiz o meu em 2024 em Dublin, portanto fora de Lisboa, e também veio com o NIF atribuído. Tenho amigos que fizeram em consulado nos EUA tbm em 2024 e idem.

    O pessoal do consulado geralmente não sabe o que fala. Pedir informação para eles costuma ser sinônimo de passar raiva a toa.

    De qq forma, quando receber seu CC informe aqui se veio realmente sem NIF para sabermos se algo mudou.

  • editado January 6

    Obrigado @ecoutinho. Informo sim. Pois é, fiquei até com receio e não perguntei se precisava tirar as digitais pro CC.

  • @MalloneBarros

    Se não falha a memória, quando fiz meu CC houve coleta de impressões digitais. Me lembro que ao levantar (retirar) o cartão depois de pronto usei o código de ativação da carta PIN e minha impressão digital para desbloqueá-lo no consulado. Depois disso a autenticação foi apenas com a CMD e PIN

  • andrelasandrelas Beta
    editado January 9

    Pessoal,

    liguei para o Consulado do Rio de Janeiro para confirmar como funcionará a votação. NESSE CONSULADO será ao longo do dia 17, das 8h às 19h, e ao longo do dia 18, das 8h às 16h. Basta comparecer portando o Cartão Cidadão para votar.

    PODE SER (não sei) que outros consulados tenham outros esquemas de horário, logo vale a pena consultar o seu antes de se deslocar.

    VOTEM.

  • andrelasandrelas Beta
    editado January 9

    @ecoutinho , as indicações são de que o (com o perdão da má palavra) Ventura fique em primeiro no primeiro turno, infelizmente, porque será (como tudo pra ele) material de agitprop propaganda dele no futuro. No segundo turno, a não ser que haja algo muito diferente, tudo aponta para a vitória de quem quer que vá ao segundo turno com ele (esperamos que não seja o almirante, o que tornaria o segundo turno uma escolha de Sofia ao contrário).

  • @andrelas

    Sim, pelo que tenho acompanhado na imprensa portuguesa é isso mesmo o esperado. Quando digo que essa eleição terá emoções é no sentido de que o nome da pessoa que irá para o segundo turno contra o delinquente do Desventura (e portanto será o próximo presidente) ainda parece estar indefinido.

    Vamos ver o que nos aguarda, mas para mim é uma escolha muito fácil. Como disse Churchil no passado, quando o mundo passou por outro momento sinistro como o que vivemos: "If Hitler invaded Hell, I would make at least a favourable reference to the devil in the House of Commons,"

    Boa sorte para todos nós!

  • Uma outra frase dele que eu adoro é "If you're going through hell, keep going", 😊

    E ainda tem que nos chame de comunistas, quando citamos um imperialista de direita repetidamente no forum - mas o cara era bom, não podemos negar! Sem ele onde estava, se fôssemos depender de Chamberlain, estaríamos todos falando alemão hoje.

    É tipo o que acontece na Europa hoje em relação ao alaranjado de mãos pequenas: só o Pedro Sánchez (Espanha) fala o que tem que ser dito, sem meias palavras. A história se repete, estamos de volta a 1938, a "Áustria" foi invadida (depois da Manchúria, Etiópia e China) sem consequências, e os líderes europeus, que não merecem os cargos que ocupam, tentam acochambrar as coisas e negociar com um celerado sociopata que só entende a linguagem da força. Esperemos que eles acordem antes que a "Polônia" de hoje seja invadida...

    (E voltamos à programação normal. Votem!)


  • ANTES DO ARTIGO:

    • António José Seguro: Partido Socialista (esquerda)
    • André Ventura: Chega (extrema-direita)
    • João Cotrim Figueiredo: Iniciativa Liberal (direita + liberalismo econômico)
    • Marques Mendes: PSD (direita - em tese ao menos, nos últimos tempos se alinhou bastante ao Chega)
    • Gouveia e Melo (sem partido, centro direita, almirante reformado)

    Ventura e Seguro empatados na disputa pela vitória, Cotrim à espreita da segunda volta

    Volvido um mês, quase tudo mudou nas intenções de voto medidas pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop) para só a incerteza e André Ventura ficarem (quase) na mesma: o líder do Chega continua na frente, mas agora em empate técnico com António José Seguro; e em terceiro surge João Cotrim Figueiredo, ainda com possibilidades de disputar a segunda volta; Marques Mendes e Gouveia e Melo caíram e estão empatados na quarta posição.

    A sondagem da Universidade Católica para o PÚBLICO, RTP e Antena 1, realizada entre 6 e 9 de Janeiro, já em plena primeira semana do período oficial de campanha para as presidenciais do próximo domingo, dia 18, estima em 24% as intenções de voto de André Ventura, que sobe dois pontos percentuais face ao estudo divulgado a 15 de dezembro.

    O candidato populista, que há um mês dispunha de dois pontos sobre o segundo (que era então Marques Mendes), tem apenas um ponto de vantagem sobre António José Seguro, que, por seu turno, garante a maior subida (sete pontos), para se fixar nos 23%, pelo que o empate técnico na luta pela vitória nas presidenciais é agora ainda mais apertado do que há um mês.

    Além de Ventura e Seguro, só Cotrim Figueiredo também cresce nas intenções de voto, beneficiando de uma subida de cinco pontos para chegar aos 19%.


    O candidato liberal ainda acalenta a esperança de passar à segunda volta, uma vez que está no limiar do empate técnico com Seguro na corrida pelo segundo lugar: dada a margem de erro de 2,2%, é preciso conciliar o pior cenário do candidato apoiado pelo PS ao melhor do candidato com apoio da IL para observar um empate a 21%.

    Marques Mendes e Gouveia e Melo registam as maiores quedas, respectivamente, de seis e quatro pontos, e estão empatados com os mesmos 14% que Cotrim obteve em Dezembro.

    Num contexto de crescente apelo ao voto útil e de crescimento nas intenções de voto de Seguro, surge a ainda equilibrada, mas mais esvaziada, competição entre os candidatos de esquerda. Catarina Martins e António Filipe deslizam um ponto cada, para os 2%, e Jorge Pinto meio ponto, para apenas 1,5%.

    De resto, Manuel João Vieira, Humberto Correia e André Pestana continuam abaixo de 1%.

    Já na intenção directa de voto ―​ isto é, sem distribuição dos indecisos ―, Ventura lidera com 19%, seguido de Seguro (18%) e de Cotrim (14%), ao passo que Gouveia e Melo (11%) consegue uma ligeira vantagem sobre Marques Mendes (10%). Catarina Martins e António Filipe mantêm empate (1,5%) e estão pouco acima de Jorge Pinto (1%). A percentagem de indecisos é de 15% (era de 18% na sondagem anterior)

    No relatório da sondagem, o director do Cesop salienta que entre o estudo de Dezembro – realizado entre a 3.ª e 4.ª semanas de debates ― e este é “possível constatar que o tempo em família e com amigos [no período festivo] trouxe alterações significativas nas intenções das pessoas”.

    João António admite que esta segunda semana e o dia de reflexão tragam “outras mudanças” e alerta para o elevado grau de incerteza destas presidenciais, sobretudo porque, se nos últimos meses “muitos” eleitores já mudaram de intenção de voto, “metade da amostra [agora inquirida] não fecha a porta a voltar a fazê-lo”.

    Entre as duas sondagens do Cesop verifica-se a consolidação de Ventura como favorito a passar à segunda volta, as subidas expressivas de Seguro e Cotrim e as descidas de Marques Mendes e Gouveia e Melo. E, sobretudo, que a competição pela ida à segunda volta, que era feita, em Dezembro, a cinco, junta agora apenas três candidatos.

    Já depois do último estudo da Católica, continuaram os debates e realizou-se, em especial, o frente-a-frente entre Mendes e Melo, muito marcado pelas críticas do almirante na reserva à falta de transparência do antigo líder do PSD e pela acusação de que é um facilitador de negócios, ao que o ex-comentador político respondeu pedindo casos concretos.

    Entretanto, começou a campanha presidencial e têm sido postas em prática diferentes estratégias. Seguro tem vindo a beneficiar de um crescente número de figuras socialistas a declarar-lhe apoio e tem intensificado o apelo ao voto útil.

    Por sua vez, Cotrim tem beneficiado do desgaste causado pelo ataque cerrado que o próprio iniciou a Marques Mendes e que foi reforçado e prolongado por Gouveia e Melo, faltando saber se a assunção de que poderia apoiar Ventura numa segunda volta e a acusação de assédio sexual conhecida, que vieram a público na passada segunda-feira, poderão ter algum impacto negativo no resultado de domingo.

    (CONTINUA...)

  • (CONTINUAÇÃO)

    Seguro reforça-se no PS e AD

    Se André Ventura é quem mais tem consolidado o eleitorado de origem – 77% dos inquiridos que nas legislativas de 2025 votaram Chega apoiam o candidato de direita radical ―, António José Seguro conseguiu reforçar-se no PS, mas também na AD.

    O antigo líder socialista obtém 51% das intenções de votantes no PS nas últimas legislativas e 10% de eleitores da AD (em Dezembro, as percentagens eram de 39% e 4%, respectivamente).


    Já Marques Mendes assegura somente 29% de eleitores da AD e 4% do PS (33% e 7% em Dezembro). Cotrim Figueiredo consegue quase os mesmos eleitores da coligação PSD-CDS (24%) obtidos pelo adversário e vai “pescar” 7% dos entrevistados que em Maio votaram Chega (em Dezembro, o liberal registava 17% e 5%).

    Nota ainda para Gouveia e Melo, que perdeu eleitores de cada uma das três forças mais votadas nas legislativas. O almirante na reserva fica-se agora por 17% de eleitores do PS, 11% da AD e 9% do Chega.

    Seguro, o melhor na segunda volta

    Os três primeiros classificados vêem as suas taxas de rejeição (inquiridos que não votam "de certeza" num determinado candidato) recuarem face ao mês anterior, enquanto as de Marques Mendes (51%) e Gouveia e Melo (47%) aumentaram ligeiramente.

    Continua a ser à esquerda que se medem as mais elevadas taxas de rejeição – Jorge Pinto com 78%; António Filipe, 75%; e Catarina Martins, 74%. Entre os candidatos mais bem posicionados é Ventura quem tem o valor mais elevado (64%), mas agora abaixo do observado em Dezembro (71%).

    São 41% os inquiridos que garantem não votar “de certeza” em Seguro, o que compara com os 54% de há um mês, e 50% os que rejeitam votar em Cotrim, abaixo dos 60% do mês anterior.


    Por outro lado, este estudo não fez questões sobre cenários de duelos à segunda volta, tendo-se optado por aferir a probabilidade de voto em cada um dos oito candidatos que participaram nos frente-a-frente televisivos. E Seguro é quem aparece em melhor posição, com o socialista a somar 54% que dizem “poderia votar nesse candidato” (32%) ou “votaria sem problemas” (22%), o que lhe garante o maior potencial para agregar votos na previsível segunda volta.

    Seguem-se Gouveia e Melo (48%), e Cotrim e Marques Mendes com 45% cada. Já Ventura regista apenas 33%, ainda que seja o candidato com percentagem mais elevada de entrevistados que nele votariam “sem problemas”, o que parece confirmar a fidelização do eleitorado do Chega na candidatura presidencial do líder do partido.

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