Notícias sobre cidadania Portuguesa e assuntos correlatos

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Comentários


  • Seguro esmaga Ventura na segunda volta com 70% e pode igualar recorde de Soares

    Numa segunda volta que opõe o socialismo democrático ao "trumpismo" antiglobalista, parecem restar poucas dúvidas sobre para que lado pende a larga maioria do eleitorado, havendo nesta fase apenas 5% de indecisos. A sondagem do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop) da Universidade Católica aponta para uma vitória clara de António José Seguro, com 70% das intenções de voto, na segunda volta das presidenciais, mais do dobro dos 30% estimados para André Ventura. Se Seguro atingir o patamar dos 70%, poderá bater o recorde percentual alguma vez alcançado em presidenciais: os 70.4% com que, numa primeira volta disputada por quatro candidatos, Mário Soares foi reeleito para um segundo mandato em Belém, bem como os mais de 60% registados por Marcelo Rebelo de Sousa em 2021.

    O inquérito feito para o PÚBLICO, RTP e Antena 1 entre 20 e 21 de Janeiro mostra que António José Seguro tem consigo o eleitorado do PS e das restantes forças à esquerda, mas também a maior parte dos eleitores que na primeira volta votaram em João Cotrim Figueiredo, Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes. Por outro lado, confirma também que André Ventura tem consolidado o eleitorado do Chega.

    Também a intenção directa de voto – sem a distribuição de indecisos – aponta para uma vitória confortável do antigo secretário-geral socialista no próximo dia 8 de Fevereiro. Seguro regista 61% e Ventura 26%.

    A explicar tão reduzido nível de indecisos estará o facto de se tratar de um embate entre dois candidatos que representam campos opostos e bem demarcados. É isso mesmo que ambos dizem quando Seguro afirma estar em causa uma escolha entre a “democracia” e o “extremismo” e Ventura aponta para uma dicotomia entre o espaço socialista e o não socialista.

    O relatório do Cesop sinaliza, por outro lado, que “um factor determinante” na segunda volta “será a concretização destas intenções em votos”, sendo que “a participação eleitoral terá um papel decisivo na diferença final entre os dois candidatos”.

    E se tanto Seguro (99%) como Ventura (93%) parecem ter bastante consolidados os eleitores que votaram neles na primeira volta, o desfecho da eleição de 8 de Fevereiro será sobretudo determinado pelo eleitorado dos candidatos que não passaram à segunda volta, em especial o de Cotrim Figueiredo, Gouveia e Melo e Marques Mendes, que somaram acima de dois milhões de votos.

    E em todos eles António José Seguro leva vantagem, garantindo não apenas mais de metade dos eleitores que votaram Cotrim (56%), Melo (67%) e Mendes (69%) na primeira volta, mas também mais de dois terços do eleitorado que no dia 18 optou tanto pelo almirante na reserva como pelo ex-comentador político.

    Por sua vez, André Ventura recolhe mais intenções de voto de eleitores que votaram Cotrim Figueiredo (16%) do que de quem preferiu Gouveia e Melo (14%) e Marques Mendes (10%).

    A prevalência de Seguro é ainda maior no que diz respeito aos eleitores que votaram em algum dos outros seis candidatos – sendo que apenas três, Catarina Martins (2,1%), António Filipe (1,6%) e Manuel João Vieira (1,1%), ficaram acima de 1% dos votos depositados em urna no último domingo –, com o socialista a recolher 91% dos votos oriundos sobretudo da esquerda. Já Ventura fica-se pelos 2%.

    Entre os eleitores de Cotrim e de Mendes inquiridos pelo Cesop, há agora 11% de indecisos quanto à escolha para a segunda volta, ao passo que apenas 7% no caso de quem optou por Gouveia e Melo.

    Eleitorado AD com Seguro

    António José Seguro também leva vantagem na captação de voto dos eleitores que, em Maio do ano passado, deram uma maioria reforçada à AD protagonizada por Luís Montenegro.

    Tendo em conta a distribuição das intenções de voto nas presidenciais em função do voto nas últimas eleições gerais nas três principais forças políticas, Seguro consegue ir buscar 59% dos eleitores que deram a vitória à coligação PSD/CDS-PP, enquanto André Ventura não vai além dos 19%.

    Já no que diz respeito aos eleitores do PS e do Chega, Seguro fixa 91% dos eleitores que a 18 de Maio votaram no partido então liderado por Pedro Nuno Santos e que o apoia nestas presidenciais, ao passo que André Ventura segura 93% do eleitorado que votou no partido populista de direita radical que ainda lidera.

    Já no que concerne à percentagem de entrevistados pelo Cesop que não sabem ainda em quem irão votar na segunda volta, registam-se valores reduzidos nos eleitores que, nas legislativas, votaram PS (1%) e Chega (2%), e um valor de 9% junto de quem escolheu a AD.

    Ao longo da última semana, PCP (e PEV), Bloco de Esquerda e Livre juntaram-se ao PS no apelo do voto na candidatura de Seguro. Já à direita, o PSD, com Montenegro à cabeça, o CDS-PP e a Iniciativa Liberal (IL) decidiram-se pela neutralidade na segunda volta. Ainda assim, a líder liberal, Mariana Leitão, já disse, pessoalmente, apoiar Seguro, ainda que "sem grande entusiasmo". Quanto aos ex-candidatos presidenciais, se Marques Mendes já anunciou o apoio a António José Seguro, Cotrim Figueiredo disse, na noite eleitoral, não tencionar apoiar ninguém e Gouveia e Melo ainda não revelou qualquer posição.

  • Ex-militante do PS detida por pertencer ao grupo 1143

    Vanda Loureiro fez parte do PS Barreiro. Desvinculou-se dos socialistas em 2024 e radicalizou-se.

    A ex-militante do PS Vanda Loureiro é uma das detidas na 'Operação Irmandade' da PJ, que deteve 37 membros do Grupo 1143, liderado pelo neonazi Mário Machado.

    Vanda Rute Silva Loureiro chegou a ter assento na comissão política do PS no Barreiro, estrutura com poder de decisão nas listas autárquicas. 


    A ligação à organização de extrema-direita já era conhecida, desde junho do ano passado, na sequência de um artigo do jornal 'Diário do Distrito', de Setúbal. Na altura, o PS esclareceu, em comunicado, que Vanda Loureiro tinha deixado de ser militante do partido "em 16 de outubro de 2024", nunca tendo exercido "qualquer cargo autárquico ou executivo em nome do Partido Socialista". A mesma nota acrescentou que, "até à data da sua desvinculação, nunca foram conhecidos pela estrutura concelhia do PS Barreiro indícios, sinais públicos ou comportamentos associados ao extremismo ou a ideologias contrárias aos valores do Partido Socialista".

    A militante teria sido convidada a integrar as listas da comissão política do PS Barreiro pelo deputado André Pinotes Batista, de quem seria próxima. Vanda Loureiro ter-se-á radicalizado ao longo dos últimos anos - passou para o partido Ergue-te, figurando como número 12 da lista daquele partido de extrema-direita, entretanto extinto, à Câmara do Barreiro, nas legislativas de 2025. A sua presença em eventos do Grupo 1143 era habitual.

    Recorde-se que a PJ lançou, esta terça-feira, uma megaoperação de combate a crimes de ódio cometidos contra imigrantes. Além dos 37 detidos, o processo tem ainda mais 15 arguidos.

  • Tracking poll, dia 7, 2.ª volta: Seguro cai, indecisos sobem. Brancos e nulos disparam para quase 10%, o que pode beneficiar Ventura


    A leitura da tendência parece ser clara: desde o debate televisivo entre Ventura e Seguro, realizado a 27 de janeiro, António José Seguro perdeu 8,3 pontos percentuais (descendo de 61,9% para 53,6%). Contudo, estes votos não foram maioritariamente para André Ventura, que no mesmo período subiu 1,7 pontos percentuais (de 26,2% para 27,9%). Na verdade, a maioria dos votos que "saíram" de Seguro foram Brancos/Nulos, que subiram cinco pontos percentuais (de 4,9% para 9,9%). Já o nível de indecisos também aumentou no mesmo período 1,6 pontos percentuais (passando de de 7% para 8,6%).



  • As variações da última pesquisa estão (muito) dentro da margem de erro. Além disso, na mesma pesquisa se perguntou quem havia "ganho" o debate, o que praticamente elimina a possibilidade de que, nesta mesma amostra (a pergunta foi feita às mesmas pessoas), houvesse migração expressiva de votos de Seguro para Ventura. Na verdade, o percentual que disse que Ventura teria ganho o debate é menor até mesmo do que o percentual que declara voto nele.

    "(...) amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de mais ou menos 4,06% (...)"

    "A intenção de voto em António José Seguro caiu (...) 2,6 pontos percentuais, situando-se agora nos 53,6%. Já André Ventura desceu dos 28,4% para os 27,9%. (...) 41% dos inquiridos consideram que Seguro ganhou o único debate entre os dois candidatos a Belém, sendo que apenas 16% entendem que o candidato da extrema-direita foi o que se saiu melhor no confronto."

    Mesmo se considerando a diferença ao longo da semana toda, temos a taxa de rejeição que, para Ventura, é de quase 70%:

    Ventura perde em todas as regiões, com números bem parecidos entre si:

    Fonte:


  • @ecoutinho voltando a nossa conversa de 06/01 onde vc me pediu um retorno, informo que apesar do consulado dizer que o NIF por exemplo não viria no cartão cidadão, ele veio. Aliás todos os outros números. O que não veio foi a carta com o PIN 😫 Não sei como vou ativá-lo agora.

  • editado February 4

    @MalloneBarros

    Sobre o NIF e demais cadastros sociais: Que bom! Lembra que te disse que o pessoal do consulado na maioria das vezes dá informação errada e fala bobagem? 😊

    Sobre a carta PIN: em tese vc tem até 90 dias desde a data em que solicitou a emissão do cartão para pedir uma segunda via. Veja a página do IRN abaixo com as instruções para fazer. A má notícia é que precisará ligar no atendimento do IRN, não dá para fazer online. Não perca o prazo senão vai precisar pedir um novo cartão. Não ligue de um telefone normal ou via celular, use um app para ligações internacionais pré pagas como o Viber ou Talk360 (ou outros). Não se esqueça que os horários indicados são no fuso horário de Lisboa!

    https://irn.justica.gov.pt/Servicos/Cidadao/Cartao-de-Cidadao/Carta-PIN-do-Cartao-de-Cidadao


  • Pessoal,

    relembrando a eleição para presidente neste final de semana. No Consulado do Rio de Janeiro, serão os seguintes os horários de votação:

    • Sábado, dia 7, das 8h às 19h
    • Domingo, dia 8, das 8h às 17h

    Basta levar o cartão-cidadão.

  • editado February 4

    @andrelas e demais colegas

    Sábado estarei às 8:00 em ponto para votar no consulado da minha cidade.

    Quem estiver inscrito como eleitor e estiver na sua zona eleitoral, não deixe de votar. É importante que a vitória seja por uma margem muito larga para deixar muito claro que nós Portugueses não somos xenófobos e que prezamos a democracia.

  • @ecoutinho lembro sim! Vc como de costume, sempre certo. Muito obrigado pela ajuda! Explicou melhor que o IRN

  • @ecoutinho , mais do que isso: a distância confortável entre os dois candidatos favorece o "ah, não vou votar porque já está decidido", o que é um risco enorme.

  • editado February 8

    Seguro vence e esquerda volta à Presidência de Portugal após 20 anos...❤️


  • @Anabar

    É uma ótima notícia e é admirável que mais de 5 milhões de portugueses foram votar mesmo na situação de calamidade que Portugal está por conta das tempestades. 🎉🇵🇹

    A parte do copo meio vazio é que 1/3 das pessoas que saíram de casa escolheram votar naquele candidato racista, xenófobo que quer acabar com a democracia portuguesa e perdeu, mas hoje é dia de comemorar com um bom vinho verde e umas sardinhas na brasa.

  • editado February 9

    E no Brasil ganhou o Ventura…me lembra Miami votando para presidente no US

  • editado February 9

    @MalloneBarros @andrelas

    Eu vi, mas resolvi não destacar para não estragar o clima de festa 😁

    Repito o que disse no primeiro turno: A comunidade portuguesa do Brasil é de dar vergonha.

  • @ecoutinho exatamente, ontem comemorei muitoooo, viva a democracia! 🎉🇵🇹

    @MalloneBarros @MalloneBarrostambém lembrei.. Miami votando para presidente no US nem assim o povo aprende.

  • Já eu nao comemorei nem um pouco,pra mim as duas opçoes eram horriveis.

    Portugal merecia coisa melhor

  • Um alívio, finalmente!

    Espero que isso afaste as pretensões de Ventura ser primeiro ministro.

  • @guedesmarcia , Seguro é da ala moderada do PS, motivo pelo qual, inclusive, foi ostracizado pelo partido. Só foi escolhido como candidato por falta de opções viáveis. Em um momento de crescimento da extrema-direita protofascista e de radicalização progressiva da direita dita tradicional (vide propostas de alteração das leis de estrangeiros e nacionalidade e também a proposta absurda de "reforma" trabalhista), com essa "direita tradicional" se aproximando do Chega e da IL (que é também radical, embora em outro sentido), será um ponto de equilíbrio importante. Com um moderado do PS como presidente, a sanha de terra arrasada do PSD de "passar a boiada" nesta legislatura fica seriamente comprometida. Além disso, pela sua moderação, Seguro deve ajudar a manter a estabilidade política nos três anos e meio que faltam para as próximas legislativas ordinárias, evitando dissolução de congresso e novas eleições antes disso.

    Dos candidatos, era o melhor, em minha opinião.


  • Portugal escolhe Seguro com recorde absoluto de votos

    António José Seguro é o sexto Presidente da República pós-25 de Abril, tendo alcançado o melhor resultado de sempre em votos absolutos NUNO FERREIRA SANTOS António José Seguro é o novo Presidente da República de Portugal. Ainda com 20 freguesias cujos votos só ficarão fechados na próxima semana, o antigo secretário-geral socialista tornou-se no político mais votado de sempre no país, batendo o recorde absoluto de votos alcançado por Mário Soares na sua reeleição, em 1991. Com 3.482.481 votos conquistados neste domingo, o Presidente eleito venceu em todos os distritos e regiões autónomas, mas André Ventura segue à frente no voto da diáspora quando faltam apurar sete consulados.

    Se no fecho da campanha eleitoral, António José Seguro dramatizava sobre um “risco inaceitável” de uma percentagem de apenas “50% mais um” dos votos, mencionando até a ideia de “pesadelo” com uma possível chegada de André Ventura a Belém, a realidade revelou-se um “sonho”. “O melhor povo do mundo”, como lhe chamou o novo Presidente da República à saída de casa depois das projecções à boca das urnas, mobilizou-se ao ponto de lhe dar a vitória com uma percentagem de 66,82% face aos 33,18% do oponente. Apesar do recorde em total de votos, Seguro não bateu os 70,35% de Mário Soares. Além disso, é também importante contextualizar que, nestas eleições, os cadernos eleitorais somam um pouco mais de 11 milhões de cidadãos, contrastando com os 8,2 milhões de 1991, ano em que os eleitores tiveram quatro nomes no boletim. Já em relação à primeira eleição de António Ramalho Eanes, Seguro também ficou acima, uma vez que o primeiro presidente pós-25 de Abril foi eleito com 2,9 milhões de votos, correspondentes a 61,59% do eleitorado.

    Por maioria de razão, António José Seguro também foi mais bem-sucedido do que o incumbente Marcelo Rebelo de Sousa. Com cadernos eleitorais bem mais próximos dos de hoje, Marcelo Rebelo de Sousa venceu com 60,7% dos votos na reeleição, com pouco mais de 2,5 milhões de votos. Em 2021, os seis adversários de Marcelo somaram 1,6 milhões de votos – número que compara com os 1,7 milhões de André Ventura nesta segunda volta.

    Já nos votos do estrangeiro – e ainda com sete consulados por apurar à hora de fecho desta edição –, André Ventura segue à frente de António José Seguro. O também líder do Chega conquistou 51,88% dos votos face aos 48,12% do antigo líder do PS. No território nacional, Ventura cantou vitória nos concelhos de Elvas, no distrito de Portalegre, e São Vicente, na Madeira. Numa análise ao mapa de Portugal, o melhor distrito para António José Seguro foi Coimbra, tendo merecido a confiança de 72,18% dos eleitores, seguido de Lisboa, com 70,5%, e do Porto, com 70,1%. Em sentido inverso, o novo Presidente da República obteve os piores resultados na Madeira (56,17%), em Faro (56,89%) e em Portalegre (59,19%), círculos eleitorais onde Ventura se mostrara forte na primeira volta.

    Esquerda de volta a Belém

    Se apenas 17% dos inquiridos da última sondagem pré-eleitoral da Universidade Católica olhavam para esta segunda volta como uma luta entre esquerda e direita, não é possível ignorar, ainda assim, que um político de centro-esquerda, 20 anos depois, está de volta ao Palácio de Belém. A maioria dos inquiridos nesse estudo – 47% – dizia encarar esta eleição como uma escolha entre a moderação e o extremismo. Os resultados agora conhecidos, olhando também para os das legislativas, dão fôlego a essa leitura: o PS e a AD (incluindo a coligação nos Açores, que contou com o PPM) somaram 3.450.631 votos nas eleições de Maio – número inferior ao que António José Seguro agora conseguiu.

    Por outro lado, sem surpresa, André Ventura surgiu à frente das câmaras de televisão reclamando ser o líder da direita em Portugal, aludindo à percentagem que alcançou (33,2%), superior à da oligação que suporta o Governo. No entanto, os números absolutos mostram uma realidade diferente. A AD obteve mais de 2 milhões de votos nas legislativas, aos quais se somam, na direita, os da Iniciativa Liberal, na ordem dos 300 mil. Face àquilo que o Chega registou a 18 de Maio, Ventura conseguiu nesta noite eleitoral mais 291.500 votos.

    Estabilidade à vista?

    À saída da sua casa, nas Caldas da Rainha, António José Seguro não resistiu a recordar que “a primeira sondagem” que teve dava-lhe 6% dos votos. “É muito bonito”, dizia Seguro, recusando tratar-se de um “ajuste de contas”, mas reconhecendo que este é um resultado “especial”.

    Mas é mais do que isso, mexe com o equilíbrio de forças no país. Se é certo que a competência para uma revisão da Constituição é exclusiva da Assembleia da República, não é despiciendo que António José Seguro tenha conseguido mais de dois terços dos votos – a chamada maioria constitucional. Foi tema destas presidenciais e o agora Presidente eleito foi claro na sua visão de que a lei fundamental do país não precisava de alterações. Ou seja, na Assembleia a direita tem mais de dois terços, mas em Belém passará a estar um candidato que cedo assumiu opor-se a qualquer intenção de mudanças à Lei Fundamental.

    Também no pacote laboral, a visão de António José Seguro foi taxativa. Dizendo que, tal como está, o diploma não mereceria a promulgação, este resultado também obriga a que o Governo tenha isso em conta. O próprio primeiro-ministro já o sinalizou, adiantando que a proposta do Governo será alvo de uma “evolução” na concertação social, de modo a que as reservas do novo Presidente da República “possam ser ultrapassadas”.

    No entanto, a mensagem inicial transmitida ao país, seja por António José Seguro, seja por Luís Montenegro é a de garantia de promoção da estabilidade política. Quando falou ao país, o primeiro-ministro mencionou que a janela que se abre agora é de “três anos e meio sem eleições nacionais”, prometendo "toda a disponibilidade para trabalhar em prol do futuro de Portugal".

    A mesma ideia foi deixada por António José Seguro, no momento da vitória, ao sinalizar: “Quanto à duração da legislatura, não será por mim que ela será interrompida”. Para já, pese embora a crítica deixada por Seguro à forma o Governo tem vindo a gerir a resposta às consequências das recentes tempestades, as perspectivas parecem alinhadas no novo ciclo político que começa a partir de agora, mas com "exigência": "Temos três anos sem eleições, não há desculpas." Ver-se-á até quando dura esta bonança.

  • Vocês acham que as eleições em portugal pode ter algo a ver com a paralização dos processos na ACP? Será que agora os 1C voltam a andar?

  • @murilomj ,creio (só minha opiniao),que nao tem nada a ver.

    Vc acha que 1 C paralisou no Porto?pq eu tenho visto processos finalizando.

  • @guedesmarcia Faz 2 semanas que os processos 1C não andam na ACP, se você conseguiu achar algum por favor compartilhe pois busquei muito e não encontrei.

  • editado February 9

    @murilomj

    Não acho que faça sentido que haja qualquer relação entre a eleição e o ritmo das conservatórias. Mesmo que fosse um presidente favorável a uma revisão total da lei da nacionalidade, qualquer mudança precisaria de tempo para aprovar um novo texto na AR, aprovação do presidente, publicação etc Leva meses.

  • @murilomj 2 semanas só é pouco,em Lusboa estao patados(1c) há 1 ano

  • Eu geralmente sou bastante crítico à coluna "Portugal Giro" do "O Globo" por conta das imprecisões nas matérias sobre cidadania portuguesa, que geralmente mais desinformam que ajudam, mas dessa vez tenho que ser justo: gostei muito do artigo de ontem, achei que coloca o dedo nas feridas certas.


    Novo presidente de Portugal precisa combater a desumanização dos imigrantes

    António José Seguro não pode esquecer brasileiros e estrangeiros que passam noites na fila e no frio atrás de documentos ao fiscalizar leis de um governo preso à pauta anti-imigração

    Eleito ontem, precisa garantir direitos, liberdades e garantias de imigrantes e minorias enquanto fiscaliza atos de um governo de centro-direita preso à agenda anti-imigração do Chega.

    Nos dez anos do seu Partido Socialista (PS) no governo, Portugal facilitou regras. Brasileiros foram atraídos e formam a maior comunidade estrangeira, de 700 mil, mas milhares aguardam regularização ou cidadania.

    Longe do PS, de centro-esquerda, nos anos de Geringonça, coligação referência para a esquerda mundial, Seguro recupera terreno em tempos de ataque global aos imigrantes, inflamado pela extrema direita.

    Ventura e o governo insistem que o problema seria as portas escancaradas, mas a raiz do debate precisa ser deslocada para a constante desumanização dos imigrantes em busca dos seus direitos.

    Caos na agência de imigração (AIMA) e no Instituto de Registos e Notariado (IRN) obrigam brasileiros e outros imigrantes a enfrentarem frio e filas em troca de um papel com senhas em plena era digital.

    Brasileiros atrás de regularização podem ter que percorrer centenas de quilômetros, como aconteceu com Felipe Matheus, que morreu a caminho da entrevista na AIMA em um acidente de trânsito.

    O Estado desrespeita prazos da regularização e cidadania previstos na lei, deixando milhares de brasileiros à margem e sem acesso a direitos básicos, apesar dos pagamentos recordes à Previdência.

    Seguro não tem poder legislativo, mas quem vive no limbo têm esperança que lidere a discussão para devolver a humanidade aos imigrantes. Pode iniciar no primeiro projeto que terá em mãos: o aperto na cidadania.

    Vetada pelo Tribunal Constitucional e pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa após pedido de revisão do PS, a alteração na lei da Nacionalidade vai prejudicar milhares de brasileiros e voltou ao Parlamento.

    Ainda que nova aprovação mantenha artigos nocivos para imigrantes, Seguro irá comentar a promulgação (ou rejeição), revelando qual será sua linha de tratamento para um tema crucial e conflituoso.

    Poderia lembrar da obrigação do governo com o direito daqueles que emigraram para trabalhar em Portugal, mas têm a dignidade roubada enquanto perseguem a cidadania ou a autorização de residência.

    É função do presidente fazer "cumprir a Constituição", que assegura: "Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei".

  • andrelasandrelas Beta
    editado February 11

    @ecoutinho e demais colegas, a maior hipocrisia do Ventura e seus minions é demonizar imigrantes num pais de emigrantes. E não precisamos retornar ao século XVI, quando um grande número de portugueses veio tentar a vida aqui, e nem mesmo ao início do século XX quando o mesmo aconteceu porque, no Norte paupérrimo de Portugal, morria-se de fome. Não... Basta retornarmos aos anos 1950, quando houve um enorme êxodo de Portugal de pessoas fugindo da ditadura de Salazar, o mesmo Salazar do qual, segundo o Ventura, precisaria-se de três para por ordem em Portugal hoje. Fugiam não só da miséria (Portugal é o primo pobre da Europa, entre outras razões, porque ficou parado no tempo durante a ditadura, da mesma forma que os males do Brasil foram amplificados durante a nossa ditadura), mas também de servirem de bucha de canhão para a guerra irracional, imoral e virtualmente perdida nas então colônias africanas que, a essa altura, brigavam por sua independência. Salazar usou a guerra como instrumento de mobilização nacionalista e de manutenção do Estado Novo, mandando à morte uma geração inteira, para ganho próprio e um projeto falido de império e de poder.

    Por um enorme acaso, vi esta semana um trecho de um documentário francês de 2018 que conta a história França sob diversas óticas, Num dos episódios, falam da imigração e, dentro deste mesmo episódio, da imigração portuguesa da época de Salazar que, hoje, faz com que eu tenha diversos primos de terceiro, quarto e quinto graus que são franceses de primeira, segunda ou terceira gerações, descendentes destes emigrados.

    Infelizmente não encontrei nenhuma fonte do documentário em outra língua que não o francês, mas coloco abaixo o link do vídeo do YouTube - a parte sobre a imigração portuguesa é bem pequena, de 18m30s até 22m05s (menos de 4 minutos), e logo após a tradução deste trecho em português. A tradução sozinha não faz juz ao que é mostrado, pela emoção dos entrevistados.

    Tradução do trecho sobre Portugal:

    "Se o Estado francês controla rigidamente a imigração norte-africana, ele fecha os olhos para outros recém-chegados. O boom econômico da França atrai imigrantes vindos do sul da Europa. Em Portugal, a ditadura de António Salazar impõe ordem e miséria. Os portugueses tentam o exílio rumo à França. Salazar se recusa a deixá-los partir, e então surgem as redes clandestinas. É o chamado passaporte coelho. 

    "Meu pai decide partir numa noite. Como todos os emigrantes da época, ele paga atravessadores: um o leva de Portugal até a fronteira espanhola, outro o conduz da fronteira espanhola até a francesa. Da fronteira francesa, ele tem um pequeno endereço, como todo mundo naquela época, para o lado de Champigny. Depois pega o trem Paris–Bordeaux, passa por Clermont-Ferrand e, então, vem nos buscar. No dia da partida, eu me lembro bem: foi difícil. Era o menino que ia embora, que perdia uma parte da família, que perdia os amigos, o cachorrinho… e partia rumo a uma aventura completamente desconhecida."

    Os jovens portugueses, por sua vez, sonham em escapar da obrigação de lutar na guerra em Angola, a colônia portuguesa que combate por sua independência. Entre eles está um adolescente que, mais tarde, se tornaria um dos integrantes do grupo Charlots.

    "Faltavam dois anos para eu ser obrigado a fazer o serviço militar, e a ideia de ir morrer por um país que, de todo modo, acabaria se tornando independente — eu sentia que isso já estava no ar — me parecia absurda. Eu pensava: isso não é para mim. Mas, se eu não quisesse ir, precisava ir embora. Eu não podia dizer diretamente ao meu pai: ‘vou fugir’. Então escolhi o salto. Em Portugal, era assim que se chamava a imigração clandestina. Eu ‘saltei’ num verão, em junho. No dia em que parti, meu pai não estava em casa. Eu entendi: ele devia estar triste demais e já suspeitava que eu tinha um projeto de longo prazo."

    Vinte mil em 1954. Vinte anos depois, são setecentos mil portugueses que compartilham o mesmo projeto de longo prazo: a esperança de mudar o rumo de suas vidas.

  • "No Porto entram cerca de 500 a 600 e-mails por dia de perguntas sobre o estado do processo de nacionalidade"

    O Arquivo Central do Porto recebe entre 500 e 600 e-mails por dia com perguntas sobre o estado de processos de nacionalidade. A declaração é de Isabel Almeida, diretora do Arquivo Central dos Serviços de Conservatória do Porto. Em evento sobre imigração promovido pela Ordem dos Advogados (OA), a profissional explicou que o volume de trabalho está “muito acima” do que conseguem resolver.

    “Se nós respondêssemos a todos, com certeza não haveria trabalhadores suficientes para tramitar os processos”, afirmou Isabel. Segundo a diretora, mesmo quando respondem aos pedidos de informação, logo recebem novas mensagens da mesma pessoa. “Acontece muitas vezes de respondermos hoje e, daqui a uma semana, um mês ou dois meses, a pessoa voltar a perguntar sobre o estado do processo”, contou.

    De acordo com a conservadora, o volume de processos já era alto e, com a previsão de mudança da lei em breve, aumentou ainda mais. “Agora, com essa perspectiva de alteração da lei, entra um número enorme de pedidos todos os dias”, ressaltou.

    Ao mesmo tempo, afirmou que todos os funcionários “fazem tudo o que podem” para serem os mais rápidos e profissionais possível. “A administração pública tem déficit de recursos humanos, e isso impossibilita. Nem que eu não dormisse e estivesse lá 24 horas por dia, sempre trabalhando, seria possível”, exemplificou.

    Um dos motivos que levou o governo a mudar a lei é justamente diminuir o fluxo de processos, especialmente os baseados em tempo de residência. Quando aprovada novamente, será necessário comprovar sete anos de moradia com título de residência para ter direito ao pedido — regra válida para cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Para os demais, o tempo exigido será de dez anos.


  • Imaginei que eram muitos, mas este volume é realmente um absurdo, em um universo com poucos conservadores não há como responder a todos.

  • Povo é muito desesperado. Existe o acompanhamento eletrônico, mas muita gente acha que no email vai ter alguma informação diferente. Mesma coisa deve ser na linha de registo, é uma dificuldade para quem precisa conseguir falar e aposto que boa parte das ligações deve ser de gente perguntando status de processo, só pra ouvir a mesma informação do site.

    Acho que pra facilitar poderiam colocar as tabelas publicamente no site do IRN.

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