Possível Divergência Nome

Prezados,

Espero que estejam bem!

Tenho realizado a busca do assento de batismo de nosso bisavô português para iniciar o processo de cidadania, mas existe algumas divergências.

No Brasil encontramos todos os documentos possíveis (Casamento, Certidão de Nascimento Avô, Óbito Bisavô) que indicam a freguesia e possível idade em Portugal.

Mas ai vem o problema, tudo no Brasil consta como Antonio Corado, e já é possível encontrar em Avelar que o sobrenome pode ser na verdade Curado, até esse ponto tudo certo.

Ao realizar a busca nos arquivos, não encontramos seu assento de batismo, e outro ponto curioso que parece se chamar na verdade Manuel. Esse sim, encontrei o registro de nascimento em Avelar.

Também encontramos um registro de serviço militar em nome de Manuel, e as datas batem, como uma possível vinda o Brasil após uma lesão no exercito. E uma mudança de nome por parte do Português, esse é o unico ponto que não permite que possamos seguir com o processo de cidadania via neto de português.

Se alguém estiver com caso parecido, e se solucionou e puder dar uma luz agradeço imensamente.

Muito obrigado a todos pela atenção.

Comentários

  • @Rafaellima


    Acho extremamente improvável que o IRN aceite uma divergência dessas, sem uma documentação muito sólida que comprove que Antonio e Manuel eram a mesma pessoa.

    Da mesma maneira, acho extremamente improvável que algim cartório no Brasil já "retificar" essa divergência sem ter uma documentação bem sólida.

    O que te deixa dois caminhos: assumir que é uma coincidência e continuar procurando os documentos da pessoa certa, ou procurar as evidências para comprovar que o Manuel e o Antonio eram a mesma pessoa.

    Se voce se sentir confortável, deixe aqui os dados que voce tem. Quem sabe, alguem consegue localizar os documentos corretos pra voce.

  • @eduardo_augusto

    Sim, imagino é um caso muito complicado, vou compartilhar todos os documentos necessários.

    Nossa busca seria por Antonio Corado ou Curado a depender da grafia.

    Muito obrigado pela ajuda.



  • @Rafaellima

    Acho que a pergunta fundamental é: há alguma evidência que te leve a crer que Antonio e Manoel seriam a mesma pessoa e não irmãos, por exemplo? Pode ser que eu tenha deixado algum detalhe passar, mas vendo os documentos que vc tem, eu diria que são irmãos.

  • @Rafaellima @ecoutinho o problema é que existem registros de batismo de 3 filhos da Delphina Santos ou Delphina Maria em Avelar, Leiria, todos dizendo pai incógnito. São eles: Manuel, Albano e Emília, mas não foi achado o registro do António.

    Os avós maternos nesses registros aparecem como José Curado e Marianna Santos.

    Em alguns casos, já vistos aqui no Fórum, portugueses ao chegarem ao Brasil, para não ficarem com os documentos sem o nome do pai, talvez por vergonha, adotavam um avô, tio, padrinho como sendo o pai.

    Esse caso é mais complicado pois existe tb uma diferença no nome e não só no pai. Foi usado o nome do avô.

    Pode ser que o Antônio seja irmão do Manuel e o registro nao tenha sido encontrado por nao ter sido feito ou ser de outra freguesia. E a hipótese, menos provável, dele ter trocado tb o 1° nome.

    Como o @eduardo_augusto comentou, fazer retificação nessa situação não seria viável.

    Achar o passaporte dele poderia ajudar muito.

  • @Nairolasai @ecoutinho

    Muito obrigado pelo retorno!

    Essa hipotese sobre serem irmão nunca foi cogitada, ficamos com a opção de eles serem a mesma pessoa baseado nos documentos.

    Mas agora vou iniciar uma busca em documentos para que talvez possa encontrar o passaporte.

  • @Rafaellima No Arquivo Nacional existe um caso de naturalização de uma outra pessoa italiana, onde consta uma certidão expedida pelo cartório de Tietê, SP, para busca de documentos de habilitação de casamento de 1909. O cartório tinha à época tudo ainda arquivado, inclusive o passaporte do noivo. Acho que vale a tentativa de solicitar essa busca no cartório daquele município. Vc pediria "autos/processo de habilitação para casamento, de Antônio Corado e Benedicta Maria Thereza, casamento realizado em 8 de outubro de 1898, inclusive documentos que instruíram a habilitação".

    Quanto ao casamento religioso poderia tentar obter na paróquia/arquivo eclesiástico: processo de habilitação matrimonial, autos de proclamas/banhos e quaisquer documentos anexos de Antônio Corado e Benedicta Maria Thereza, casados em 30/04/1898.

    Também valeria pedir uma busca no cartório dos registros de nascimento dos primeiros filhos do casal em Tietê: Benedicta nascida em 25/3/1899 e Manuel em 19/08/1901.Uma certidão de inteiro teor pode contar dados adicionais sobre o Antônio.

    Tudo indica que o Antônio descende da família Curado de Avelar, mas isso não pode ser colocado de forma definitiva pois também existia um ramo familiar Corado em Portugal.

    No local que vc obteve a ficha militar do Manuel, existe alguma informação de baixa dele do serviço militar? A pergunta é porque na ficha consta que ele iria servir por 12 anos, a partir de 1891.

  • @Nairolasai

    vou seguir suas indicações.

    Temos a certidão de inteiro teor de nosso avô filho de Antônio Corado, mas ele foi um dos últimos filhos.

    Em relação ao documento militar, há uns atrás contratamos uma genealogista que encontrou esse documento.

  • @Nairolasai

    Recebi a seguinte resposta do cartório de Tiete:

    "Prezado, bom dia!


    Realizei o desarquivamento da Habilitação de Casamento de ANTONIO CORADO e BENEDICTA MARIA THEREZA (Livro B-03, Folhas 09V, Termo 1007) e, nela não consta documentos de identificação e/ou certidão de nascimento dos contraentes e de seus pais. Consta, apenas, declarações dos contraentes e seus pais. "

  • @Nairolasai

    Encontrei esse passaporte para o Brasil, e achei algumas informações que podem indicar algo:


  • @Rafaellima tenho novidades sobre ManuelxAntonio. Eram pessoas diferentes. Depois com calma vou postar aqui.

  • @Nairolasai

    Muito obrigado pela ajuda!

  • @Rafaellima Tenho alguns achados que mostram quase certamente que haviam os dois irmãos, filhos da Delfina, Antônio e Manuel.

    Para dar desenvolvimento ao caso, e como o elo entre eles apareceu através da Emília, repito abaixo os dados dela, mostrando que tb era irmã deles.

    Assento de batismo da Emília, nascida em 4/3/1864, em Avelar, filha natural de Delfina Maria e neta de José Curado e Marianna dos Santos.

    Registro da Emília no Family Search: https://www.familysearch.org/pt/tree/person/sources/GDGZ-4G7

    A Delfina (às vezes Delphina) aparece no registro de um filho como Delfina Maria e em outro como Delphina dos Santos.

    Assento do Manuel: https://digitarq.arquivos.pt/fileViewer/893947959fb744bd8446819535d6df57?isRepresentation=false&selectedFile=45942104&fileType=IMAGE nascido em 7/7/1870, em Avelar, filho natural de Delphina Maria e os mesmos avós da Emília

    Voltando à ficha militar do Manuel, vemos na parte de baixo que foi transferido do regimento onde servia para o depósito de praças do Ultramar (órgão militar ligado aos territórios portugueses da África e Ásia/ Índia) em 16/7/1892.

    https://postimg.cc/sQJZLYgT

    Seguindo a pista do Manuel, em 22 de agosto de 1903, a Procuradoria-Geral da República registrou este processo:

    “Processo em que Emília dos Santos Curado e outro pedem os vencimentos em dívida a seu finado irmão, que foi cabo do depósito de praças do Ultramar”

    Referência: PT/AHPGR/PGR/04/069/057, folha 54v, n.º 845, assunto “Marinha” https://arquivohistorico.ministeriopublico.pt/index.php/processo-em-que-emilia-dos-santos-curado-e-outro-pedem-os-vencimentos-em-divida-a-seu-finado-irmao-que-foi-cabo-do-deposito-de-pracas-do-ultramar?utm_source=chatgpt.com.

    Olhe a coincidência: o nosso Manuel Curado, de Avelar, era filho de Delfina Maria e tinha uma irmã chamada Emília, nascida em 1864. E sabemos independentemente que Manuel passou ao Depósito de Praças do Ultramar em 16/07/1892.

    O requerimento solicitando abono do espólio do Manual Curado, que deu origem ao processo, esclarece que o "outro" se tratava do Antônio Curado, irmão da Emilia:


    Resumindo: Delfina Maria Curado, filha de José Curado + Marianna dos Santos, teve pelo menos Emília (1864), Manuel (1870), Albano (1875) e Antônio (??). Manuel é o militar que vai para o Depósito do Ultramar; depois morre, já como 1.º cabo da 3.ª Divisão. Em 1903, Emília dos Santos Curado e António Curado reclamam o espólio/vencimentos do irmão Manuel.

    Portanto, António Curado existiu, mesmo que não apareça entre os batismos de Avelar.

    Isso nos dá algumas possibilidades concretas: António pode ter nascido bem antes ou bem depois do imaginado, ter sido batizado noutra freguesia, ou até ter uma relação familiar um pouco diferente da que estamos supondo.

    E há uma questão especialmente importante: Antônio Corado de Tietê, SP, tinha 27 anos em 1898, portanto, se a idade estiver correta, nasceu aproximadamente em 1870/1871. Isso o coloca praticamente junto de Manuel, que nasceu em 1870. Como sabemos agora que Manuel e António eram pessoas distintas, não podemos simplesmente procurar outro nascimento em 1870 sem considerar erro de idade, batismo em outra freguesia ou outra circunstância.

    Aí temos que tb levar em conta o passaporte de dez/1892 que vc anexou acima e que está também no Digtarq: https://digitarq.arquivos.pt/documentDetails/4f9217c6599f43b8bb046f4c6346d989 . Nele aparece Antônio exposto com 21 anos, levando ao nascimento em 1871.

    Idade: 21 anos (mesma idade estimada pelo casamento)

    Filiação: Não mencionada / Pais incógnitos

    Naturalidade: Não mencionada

    Residência: Casalinho / Avellar Figueiró dos Vinhos / Leiria

    Destino: Brasil

    continua na postagem seguinte

  • editado October 8

    @Rafaellima

    Continuação

    Em um assento de batismo em Portugal no ano de 1871, o termo "exposto" significava que a criança era um bebê abandonado, ou seja, uma criança de pais desconhecidos que foi deixada ("exposta") em um local público ou na chamada "Roda dos Expostos", que era um mecanismo cilíndrico de madeira colocado na parede de hospitais, misericórdias ou conventos. A pessoa que abandonava o bebê o colocava ali pelo lado de fora da rua e girava a roda. Um sino tocava, avisando os funcionários do lado de dentro que uma criança havia sido deixada, garantindo o total anonimato dos pais. Mas normalmente essas crianças eram imediatamente batizadas pelos religiosos. mas existe uma forte possibilidade de ter sido deixada numa freguesia vizinha onde existisse um convento, por exemplo.

    O Antônio exposto poderia ?? ser esse do passaporte sim, pois as idades de nascimento do passaporte e do casamento no Brasil coincidem.

    Um local que costumavam deixar os expostos era na Paróquia de São João Batista em Figueiró dos Vinhos. De fato, existe um Antônio lá deixado em agosto de 1871 que "poderia" ser o Antônio do passaporte. Foi dado para ser criado pela ama Rosária Maria e seu marido Manuel Lopes. Mas não podemos afirmar que se trata da mesma pessoa.

    https://digitarq.arquivos.pt/fileViewer/46cb425ead4f484587067b85bc073a7e?isRepresentation=false&selectedFile=46167026&fileType=IMAGE registro 56.

    De qualquer modo, se não houver um registro do Antônio Corado vai inviabilizar o seu caso. Resta procurar nas demais freguesias do Concelho de Figueiró dos Vinhos, especialmente em 1871.

    @eduardo_augusto @ecoutinho

  • @Nairolasai

    Que belo trabalho de investigação! Parabéns.

    Sobre o fato de Antônio ter sido exposto e criado pela ama Rosária e Manuel Lopes, é algo que faz sentido, mas como poderíamos explicar que após sua morte Antônio aparece junto de Emília reclamando o espólio do irmão Manoel? E aparentemente ele ter adotado o nome da família da Delphina na idade adulta mesmo sendo exposto, o que em teoria não permitiria saber quem seria a família biológica?

  • @Nairolasai

    Mais uma vez, muito obrigado!

    Que pesquisa fantástica, um trabalho impecavel!

    Diversas lacunas vão se preenchendo, e temos um norte importante para tentar encontra o assento de batismo de Antonio.

    Um ponto importante foi saber que não se tratam da mesma pessoa, sinto que chegamos a proximidade de encontrar esse documento.

    Mais uma vez, muita gratidão pelo seu apoio!

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