Busca de Antepassado: FAUSTINO (Nome original desconhecido) Valença do Minho 1894 Belém do Pará 1899
Olá a todos,
Busco ajuda para identificar a origem de um antepassado do meu sogro. Temos uma história de "adoção informal" durante a emigração que conflita com os registros de batismo encontrados até agora.
O Caso de Faustino: Segundo a tradição familiar, por volta dos 4 anos de idade, ele teria fugido de casa em Viana do Castelo devido a problemas familiares e embarcado em um navio. Durante a travessia, teria sido "adotado" por uma família portuguesa que o acolheu. Ele passou a usar o sobrenome Rodrigues Campos, mas não há registro de adoção legal.
Dados das Certidões Brasileiras:
- Nome: Faustino Rodrigues Campos.
- Nascimento: 24 de Junho de 1894.
- Naturalidade: Valença do Minho (Distrito de Viana do Castelo).
- Chegada ao Brasil: Belém/PA em 08/03/1899.
- Navio recordado pela família: Ambrose ou Victoria/Vitoria.
Pesquisas já realizadas (Tombo.pt, SIAN, CEPESE, Jornais):
- O Navio: Em jornais de Belém (08/03/1899), confirmei a entrada dos vapores Jerome (Booth Line, mesma linha do Ambrose) e Venturosa mas não sei se são esses barcos exatos.
- A Família "Adotiva" (Póvoa de Varzim): Localizei os batismos de Margarida Rodrigues Campos (n. 1876) e seu irmão António Rodrigues Campos (n. 1883), filhos de Manuel Rodrigues Campos e Teresa de Jesus.
- Passaporte: Localizei no CEPESE o passaporte de António (ID 397489). Acreditamos que os irmãos (Margarida e António) tenham trazido a criança, possivelmente passando-a como um parente ou agregado.
- A Pista de "João Baptista": Pesquisando no Tombo.pt nos livros de Valença do Minho, não encontrei nenhum Faustino na data de 24/06/1894. O único nascimento registrado exatamente naquela data e local é um João Baptista. Suspeito que este possa ser o nome original de Faustino antes da mudança de identidade.
Dúvidas e Pedido de Ajuda:
- Alguém já viu casos onde uma criança "fugitiva" recebesse um novo nome ao ser acolhida por outra família no navio ou na chegada ao Pará? Alguém já encontrou casos semelhantes de mudança de nome em "fugas" de navio para o Pará em 1899?
- Como posso confirmar se o João Baptista de Valença é o Faustino de Belém? Existe algum registro de passaporte para menores que "fugiam" ou eram incluídos como "sobrinhos" nos passaportes.
Encontrei árvores genealógicas que já ligam o Faustino diretamente aos pais adotivos da Póvoa de Varzim, mas as certidões brasileiras dele insistem na naturalidade de Valença do Minho.
Agradeço qualquer orientação de como provar essa ligação para tentar ajudar meu sogro conseguir algum documento português que conecta o avô dele.
Victoria, :)
Anexos: Estou anexando a esta discussão todos os documentos que localizei até agora:
https://www.familysearch.org/en/tree/person/about/KHVH-YT7
Comentários
@VH9825
Acho bem pouco provável essa mudança de nome tão brusca (apesar de não impossível).
Histórias familiares são, por vezes, bem fantasiosas. O Faustino pode ter sido “adotado”, por exemplo, pelos tios = foi morar com eles porque os pais achavam que ele teria mais oportunidades no Brasil.
De novo, não digo que seja impossível, mas quão razoável é imaginar que ele, com quatro anos, tenha largado os pais, ido até um porto, entrado num navio e ganhado a afeição dum casal em trânsito?
O meu antepassado português também veio para Belém; ele era do Porto. Nessa época (li isso num artigo disponível no Cepese), os pais portugueses despendiam tudo que tinham para ensinarem aos filhos o bê-á-bá para que embarcassem para o Pará para trabalharem numa profissão mais “nobre”, como caixeiros.
Agora, o que também aconteceu com um dos primeiros prontuários de estrangeiro desse meu antepassado, já com uns trinta anos, é que lhe atribuíram uma data de nascimento (não sei se ele declarou errado) completamente tirada do chapéu. Nem dia, nem mês, nem ano batiam.
Não é por desprezar a sua pesquisa, mas eu tentaria dar uma olhada mais a fundo nos livros dessa freguesia, procurando pelos três nomes, sem ser só a data exata. Sobretudo, atentar-se para o nome dos pais. Registros “perfeitos” no fórum são a exceção da exceção.
@VH9825
Inclusive, parabéns pelo achado. Tenho procurado inscrições consulares no Consulado de Portugal para o Pará e essa é a primeira vez que vejo alguém que tenha um. Estava no prontuário?
Passei alguns e-mails para o Consulado de Portugal em Belém, mas nunca me responderam.
O meu antepassado se casou, inclusive, com uma brasileira do Acará.
@carlasimone
Muito obrigada pelas respostas!
Eu também acho improvável que uma criança de 4 anos tenha fugido e conseguido chegar no Porto vindo de Viana do Castelo, mas estou seguindo a história que o antepassado contou para o meu sogro e ele tinha falado que ele fugiu por causa de problemas especificamente com o padrinho dele.
Sobre o documento do Consulado Português, eu o localizei fazendo uma busca pelo nome "Faustino Rodrigues Campos" no site do SIAN. E com sorte era um arquivo com vários documentos do Brasil e esse do consulado português estava incluído.
Até agora, eu verifiquei todas as freguesias de Viana do Castelo procurando pela data de 24 de junho de 1894, e também olhei de maio até agosto do ano 1894, mas não encontrei nenhum Faustino ou Rodrigues Campos. Mas como a letra é difícil, vou conferir tudo de novo.
Sobre o João Baptista, eu usei o CRAV para ver se o assento tinha alguma averbação no lado, mas o dele está limpo. Isso costuma ser um forte indicador de que a criança saiu do país, por isso vou continuar pesquisando para tentar dar uma resposta ao meu sogro.
Você acha que o ano de nascimento está correto ou eu deveria expandir a busca ainda mais?
Que coincidência o seu antepassado também ter ligação com o Acará! O Faustino também viveu lá por muito tempo e acabou falecendo no município em 1977.
Vou continuar escavando os livros de batismo, talvez ampliando para 1893 e 1895, caso a idade dele tenha sido estimada? Se eu encontrar algo sobre essa conexão entre os Leites (família do João) e os Rodrigues Campos, aviso aqui!
@VH9825 Para acrescentar no seu arquivo o registro de estrangeiro do Faustino de 1941:
http://imagem.sian.an.gov.br/acervo/derivadas/BR_DFANBSB_E8/0/PNT/02899/BR_DFANBSB_E8_0_PNT_02899_d0001de0001.pdf
No documento diz que a chegada foi no navio Ambrose (pg 5) e que seria natural de Viana do Castelo (pg 10) e de Valença (pg 24).
Sem o assento de um Faustino, filho do Antônio e da Margarida, vai ser difícil provar a filiação dele.
Precisaria ver se o documento do Consulado de Portugal teria valor legal para a cidadania ??????. Teríamos que ouvir a opinião de outros colaboradores do Fórum com experiência no assunto. @CarlosASP @eduardo_augusto
@Nairolasai
Muito obrigada!
Atualmente, o meu maior desafio é o conflito entre a tradição oral e os documentos. No Brasil, todos os registros (incluindo o Prontuário de Estrangeiro de 1941 no SIAN) afirmam que ele nasceu em 24/06/1894, em Valença do Minho, Viana do Castelo, como Faustino Rodrigues Campos.
Sobre a família "adotiva":
https://www.familysearch.org/pt/tree/pedigree/portrait/KHVH-YT7 - Encontrei e tem a fotografia original dele e foi onde encontrei o certidão do primeiro casamento dele.
Agradeço muito a opinião de vocês para tentarem me ajudar para ver se o Faustino realmente existiu em Portugal ou se ele tinha um nome diferente como João Baptista Leites. Se este caso é possível de resolver
Muito obrigada!
@VH9825
Olhei os documentos que encaminhou e nao tenho muita certeza se o Antonio do passaporte indicado é de fato o Antonio listado como pai de Faustino... Todos os documentos anexados pelo @Nairolasai apontam que era de Valença/Viana do Castelo... acho que vale a pena fazer uma varredura com um periodo maior, de pelo menos 3 anos antes e 3 anos depois da data provavel (eu seguiria até proximo à viagem de 1899 já que ele chegou criança e pode nao se lembrar a idade que tinha).
Uma outra pista que talvez valha tentar seguir: encontrei um batismo em Vieira do Minho de uma criança chamada Preciosa (n. 67/1890) que era filha de Faustino Gouveia e Margarida Gonçalves https://digitarq.arquivos.pt/fileViewer/663f8255d9c1440a8834324579197112?isRepresentation=false&selectedFile=52540901&fileType=IMAGE não sei se tem alguma relação mas considerando a história da adoção informal pelos Rodrigues Campos, pode ser que ele seja filho deste casal... repare também que eles se casaram na Freguesia de Campos, concelho de Vila Nova Cerveira que também pode ser outra localidade passivel de buscas caso siga esta linha.
@VH9825 No processo de naturalização do Antonio de 1922, que vc mencionou, consta que ele chegou ao Brasil em 1916 e que era pescador, o que remete ao 1º nome da lista do CEPESE. Ele então não seria o António que teria vindo com o Faustino em 1899.
Eu tb não descartaria que o Faustino, que vc procura, fosse filho de um Faustino e Margarida e natural de Valença, Viana do Castelo.
@AlanNogueira
Muito obrigada pela ajuda e por essa pista! É realmente impressionante como os nomes coincidem Faustino e Margarida
No entanto, pelo que levantei até agora, os documentos apontam para um caminho um pouco diferente:
Todos os registros oficiais dele no Brasil — como o casamento de 1914 e o prontuário de 1941 — dizem que ele era de Valença - Viana do Castelo . Encontrei um documento específico que afunila a busca para a Valença do Minho que é o documento do consulado português de Pará. O detalhe curioso é que, ao pesquisar nos arquivos de Viana do Castelo, notei que 'Valença do Minho' aparece em diversos registros espalhados pela região, e não concentrado em um único lugar, o que torna a varredura um pouco mais desafiadora. Acredito que a Margarida e o Antonio que aparecem nos documentos dele como pais são realmente os que adotaram ele, meu sogro tem certeza . Os pais biológicos ainda são o nosso grande mistério.
Concordo plenamente com você que o Antonio do processo de naturalização que anexei não é o pai, mas sim o irmão da Margarida (a mãe adotiva). Consegui os batismos de ambos na Póvoa de Varzim e eles são filhos do mesmo casal, Manoel e Theresa. Mas continuo em duvida se esse Antonio que ele tinha nos documentos era mesmo o irmão da margarida ajudando ela ou se e um Antonio completamente diferente, o que está me deixando mais confusa é o sobrenome pois a mãe adotiva já tinha nascido com o nome "Rodrigues Campos"
Vou seguir a sua sugestão e ampliar a minha busca entre os anos 1891 e 1899 nas freguesias desse concelho de Valença. Quem sabe o 'verdadeiro' registro dele com o nome original não aparece agora!
@Nairolasai
Sim! E realmente ajuda a reforçar que esse Antonio e a Margarida eram irmãos. Como esse Antonio só chegou ao Brasil em 1916 e trabalhava como pescador, fica claro que ele não é o "pai" que teria trazido o Faustino ainda criança em 1899, então o mistério sobre quem seria o Antonio citado nos documentos brasileiros continua pra mim mas não sei mais onde eu deveria procurar para confirmar. Eu quis subir todos esses arquivos justamente para fazer esse "double check" com vocês e ver se alguém notava algum detalhe que eu pudesse ter deixado passar :)
Muito obrigada por me ajudar. Toda ajuda é muito bem-vinda!